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domingo, fevereiro 11, 2007
A frase da noite
" Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez, feita até às 10 semanas, se realizada por vontade da mulher em estabelecimento legalmente autorizado, deixou de ser crime"
José Sócrates
Vincular a política
Os votantes no referendo deram duas indicações importantes à república:
1. É largamente maioritário entre aqueles que expressaram o seu voto, o sim à despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas.
2. Dadas as posições assumidas previamente pelo PS sobre o que faria em caso de um Sim não vinculativo, o resultado vincula de forma muito clara o Parlamento a assumir as suas responsabilidades legislativas.
É um dia muito importante para a política.
O presidente da mesa e o dramaturgo
O antigo presidente da república foi presidente da mesa de uma assembleia eleitoral da Escola Marquesa de Alorna o que surpreendeu a generalidade dos votantes inscritos naquela mesa. Nem todos. Jaime Salazar Sampaio, um dos mais importantes dramaturgos portugueses vivos, respondeu assim à repórter:
- Acho normal, eu se me convidassem também aceitaria.
- Mas o senhor não foi presidente da república?
Sorriso matreiro do dramaturgo:
-Tem razão, ainda não fui.
sábado, fevereiro 10, 2007
Acabou o meu período de reflexão: SIM
Entramos agora formalmente no período de reflexão. E digo formalmente porque é bem provável que seja agora que ela tenha terminado. É um estereotipo do pensamento aquele que resulta do parar de falar, de ouvir (escutar o quê? o seu silêncio interior? será que devo calar as vozes dentro de mim sustentando que elas tiveram todo o tempo de campanha para se manifestar?) para que em fim se possa iniciar a reflexão. É uma incompreensão minha que se manifesta em cada fim de campanha. Como se o pensamento não fosse discurso, como se o pensamento não fosse acção. E não deixa de ser importante verificar que este ritual da reflexão cauciona a possibilidade do discurso da campanha poder ser, legitimamente, um tempo de verbo irreflectido. E eu, que venho aqui falar para pensar em voz alta, inicio assim o meu período de fim de reflexão. Até porque como foi notório para a generalidade dos que aqui passaram, a minha decisão está tomada.
Vou votar sim porque acredito que com o meu voto poderei ajudar a:
- reduzir o número de interrupções voluntárias da gravidez;
- diminuir a solidão e a angústia dos casais ou das mulheres que terminam com a gravidez, integrando no seu processo de decisão o acto de aconselhamento médico;
-diminuir o número de mortes das mulheres que interrompem em condições precárias e clandestinas;
- fazer com que a aventura da decisão inunde com uma clarividente luminosidade, a não menos aventurosa experiência da paternidade e da maternidade ;- tornar esta comunidade um pouco mais solidária com os reais contextos de vida daqueles que a constituem;
Que o nosso voto tenha a força política de um tornado.
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Sim no referendo: Teste de personalidade
Não sei se se passa isso convosco: há evidências que construímos na razão e que se clarificam na acção. Já fiz o teste de personalidade da Leonor Areal e descubro a contragosto, uma radicalidade que desconhecia. Porque:
- se o deus em que não acredito confiou à mulher o trabalho biológico de ser ela a cuidar do processo de gestação de um bébé, é porque sabia que ela seria sempre a mais bem posicionada para isso. pensar que deus, entidade em que insisto, não acredito, só o consentiu porque sabia que iriam ser criadas leis para a obrigar a ter o melhor discernimento, parece-me uma falácia de quem só constrói deuses à sua imagem e semelhança;
- a maternidade, tal como a paternidade, são momentos de grande felicidade, plenitude e exaltação interior. pensar que alguém prescindiria deles porque existe uma lei que possibilita que alguém possa não ser pai nem mãe se antes não o tiver sido no interior das suas escolhas, é algo que não consigo sequer conjecturar;
- a evidência ecográfica que é realmente um momento exuberante na nossa relação com o Outro/Mesmo, é uma experiência que, às 10 semanas, apenas tem clarividência para quem já era pai antes de o ser;
- compreendo a dedicação pela vida intrauterina. Eu próprio sinto o prazer diante do redondo vocábulo. Gosto de o mastigar, soletrando-o: in-tra-u-te-ri-na. Civilizacionalmente sinto-me até diferente quando o pronuncio assim. Talvez seja pelo grande fascínio que sempre tive pelo útero e por tudo o que faz parte da vida sexual de uma mulher. E depois, eu também penso que interiormente as nossas mulheres estão cada vez mais bonitas, interessantes. Mas acho de um grande exagero que por causa dessa nossa sedução pelo que se passa no interior de uma mulher desprezemos o facto de um número muito grande de mulheres que interrompe a gravidez poder também interromper ali a sua própria vida;
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
terça-feira, fevereiro 06, 2007
O sim quer dizer sim e o não quer dizer não
Daniel Oliveira falou quase no fim da última parte do debate. Estavam todos a discutir muitas coisas. O valor da vida intra-uterina. A dor do feto. A possibilidade de com Castro Caldas se sentarem todos ali a discutir as condições que poderiam ser momentos de desculpação da mulher. E é então que o Daniel se levanta e diz:
- "O sim ainda tem valor de sim. O não tem valor de não. Despenalizar significa, tirar a pena. Por isso, se cinquenta por cento mais um decidirem que sim, o Estado não pode criminalizar a mulher e pode ajudá-la a mulher a promover a intervenção voluntária da gravidez, se cinquenta por cento mais um votarem não, o Estado está proibido de despenalizar a interrupção voluntária da gravidez". É isso que os portugueses vão votar. Mais nada.
O grande mal estar no não
António Pinto de Leite diz que nos últimos dias se verifica que "há consenso na sociedade portuguesa para a não criminalização da mulher que faz o aborto". É um defensor do não que o diz e di-lo na defesa de um não ao referendo. O que é espantoso em termos de incoerência para alguém que ainda está a decidir as décimas, a métrica e o fonema de cada palavra constante na pergunta do referendo. Rui Pereira mais uma vez esteve melhor: " o que se está a assistir é a uma grande dificuldade dos defensores do não em defenderem que criminalizam a mulher".
É tão somente isto. A minha grande dúvida é as consequências que até dia 11 este trabalho de incongruência generalizado poderá trazer...
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Instalar a confusão
Rui Pereira foi de uma grande contundência em relação àquilo que pode ser a falácia argumentativa daqueles que defendem uma suspensão da pena: esta posição descaracteriza as duas posições em antagonismo no referendo. Enquanto que uma não queria mudar a lei (a não ser que fosse para a agravar, como alguns extremistas do não defenderam) e a outra queria alterar a lei, agora, com estes novos movimentos do não, parece que ambas querem mudar a lei. É uma confusão. A cinco dias de uma votação, quem e com que objectivos quer instalar a confusão?
O melhor juiz
A certa altura no debate do Prós e Contras, Rui Pereira diz uma verdade que me pareceu tão cristalina: "a mulher é o melhor juíz do que se passa na vida intra-uterina". Gosto das pessoas que neste momento do debate ainda conseguem dizer coisas cristalinas.
domingo, fevereiro 04, 2007
Blogoteca do Sim: "Pedomorfia"
"A verdade é que somos pedomorficos. Temos um fascínio absoluto pelas formas jovens. A imagem do ser liliputeano que o Não distribui é mais apelativa que o problema de saúde pública das mulheres adoecendo, ou arruinando a saúde, por um aborto clandestino. Se lhe juntarmos o cromo da Nossa Senhora, a mãe de todos, a chorar, temos um cocktail explosivo. A razão estremece à porta destas evidências."
O Luís Januário na Natureza e no Blog do Sim no Referendo.
sábado, fevereiro 03, 2007
ASNÃO SIM
Narana Coissoró acusou Ana Drago de tornar o assinalar das condições das mulheres que abortam numa espécie de tantra. E depois, até final, repetiu, como um tantra, que esta lei tornava criminosas as mulheres que o faziam às 10 semanas e um dia. Concordo com Narana. Com tanta gente do Não a defender esta questão ou até, como Marcelo, a não criminalização, os partidários do sim tiveram em excessiva linha de conta o extremismo de César das Neves e não foram suficientemente audazes. Foi de certeza falta de diálogo.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Blogoteca do Sim: o aborto clandestino.
A segunda parte da viagem de Sónia Morais Santos pelo aborto clandestino.
O outro professor
Não consigo perceber Marcelo: se a pergunta do referendo está errada, então estaríam erradas quaisquer uma das respostas que ela possibilita: sim ou não. Mas parece que assim não entende o demagogo do You Tube. Eu não devia dizer isto, toda a gente me conhece o desentusiasmo pelo fenómeno gato Fedorento, mas abro uma excepção: sintonizem rapidamente o You Tube no outro professor.
Obrigado, professor Marcelo!
Já não voto. Chateei-me com a pergunta. E não me venham com essa de que não há perguntas indiscretas, que as respostas é que o podem ser. É uma treta. A pergunta está mal feita. Aquilo não é bem uma interrogação, é uma afirmação. Os tipos estão a aldrabar-nos. Os gajos estão a perguntar-nos se nós somos a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez se for feita até às dez semanas em estabelecimento de saúde autorizado para o efeito, mas o que os gajos querem mesmo saber é se podem aumentar o tabaco, a bica, o pastel de nata, a electricidade, a televisão. Só quem é cego é que não vê. Eu se fosse para libertar as mulheres até o fazia mas os gajos estão a aproveitar-se do sofrimento delas para nos quererem obrigar a assinar de cruz em tudo o que querem fazer. Um cheque em branco é o que os malandros nos estão a a pedir. Só de pensar que ia ter de sair de casa, apanhar o barco, a camioneta, enfiar-me no pavilhão da Escola para responder a uma pergunta errada, mal intencionada, está-me a dar uma agonia. Eu já de si sou contra aqueles tipos e tipas que fazem muitas perguntas, agora isto parece-me demais. Não vou responder. Não têm nada a ver com aquilo que eu acho. O pensamento é secreto, porra! Não têm nada a ver com isso!
segunda-feira, janeiro 29, 2007
"Tenho aqui um problemazinho"
DN de hoje. Uma viagem ao mundo do aborto clandestino, de Sónia Morais Santos.
Espalhem a notícia - Milhares de pessoas assinam contra Marcelo
É um imperativo fazer correr um abaixo assinado para até dia 11 ou retirar Marcelo dos serões de Domingo ou impedi-lo de se debruçar sobre o referendo. Os juristas que avancem. Os ciber especialistas que façam uma petição online. Por duas razões:
- "Marcelo deslegitima as posições do Não, acolhe as posições fundamentais do Sim, e defende o Não ao referendo. Está-lhe a ser dado espaço para que, através da televisão pública, e fora dos espaços de campanha, ele faça, de forma enganosa, a vinculação ao Não;
- "Marcelo tem o seu grande argumento no facto de este referendo não servir para nada". Está-lhe a ser dado espaço para que, através da televisão pública, e fora dos espaços de campanha, ele faça, de forma vergonhosa, a justificação da abstenção;
De qualquer forma até que uma providência cautelar possa retirar Marcelo Rebelo de Sousa da televisão, promova-se o boicote à emissão do programa (desligar a tv, fazer zapping) e à pressão para que o DN, na sua selecção das Escolhas de Marcelo, não colabore com esta situação. Queixemo-nos à Comissão das Eleições. O assunto é sério. Até ao referendo, o Marcelo deve ir -não para a rua - para os espaços de campanha do Não.
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