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sexta-feira, março 26, 2010

Adoecer, com Hélia Correia

A entrevista do Público, de Raquel Ribeiro a Hélia Correia, é uma delícia. Apetece entrar naquele mundo deles, da Hélia e do Jaime. Imaginá-los a tocarem e a cheirarem a folha do caderno de Dante Gabriel Rosseti. Eles são dois seres preciosos. Hélia diz que Adoecer não é uma biografia de Elisabeth Siddal, que os biógrafos deixaram todos escapar esta dimensão que só este fascínio, este enamoramento a que ela e o Jaime se entregaram, podem tentar captar, e eu, quando ela diz de Lizzie Siddal aquilo que poderia ser dito de si mesma, penso no grande privilégio que é escrevermos, debruçarmo-nos, abismarmo-nos.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

As memórias coloniais da Isabela

Na Livraria Pó dos Livros ontem, a apresentação do livro de Isabela, Caderno de Memórias Coloniais, de Isabel Figueiredo, a Isabela do Novo Mundo e do Mundo Perfeito. A Isabel Almeida Santos do nosso DN Jovem. Eduardo Pitta (Da Literatura) apresentou a obra, secundado por Osvaldo Silvestre , editor de Angelus Novus.

A conversa foi bastante animada. Na sala, para além de quatro colaboradores do DN Jovem (além do editor) e três bloguers da Regra do Jogo, estavam muitas pessoas que tinham ouvido a entrevista ao Pessoal e Transmissível do Carlos Vaz Marques, e que vieram com o calor do afecto e da memória por África, misturados com um misto de admiração pela coragem literária da Isabel.

Depois de Osvaldo Silvestre ter inscrito este livro na (grande) literatura autobiográfica, era irrecusável o debate sobre a forma como o livro deixa transparecer a questão colonial, que logo se encaixou na forma como falamos ou não falamos dela. Muita gente ali na sala tinha um pedacinho da sua memória da áfrica colonial que queria trazer para a roda da conversa. Para esses, com as Lourenços Marques cosmopolitas ou do caniço enfiadas até ao osso da memória, nem sempre é muito claro a forma como, forçosamente, se misturam memórias, horas de vida gravadas na caixa negra que, individualmente, transportamos, com o modo como a ideologia, o discurso político, tensionou a forma como nos lembramos de África. Como se lembram de África aqueles que voltaram, os portugueses de segunda, os retornados, os que deram o sangue pelo sonho colonial.

Era já noite, ao adormecer, quando peguei no livro para o ler. Não faço critica nem vou disfarçar isso perante o livro de uma amiga. Fico-me pelos fenómenos, pelos factos: o livro lê-se bem, lê-se demasiado bem. Já ía na página quarenta e tal quando de repente, ainda sem sono, percebi as desoras da leitura. A micro narrativa de um blogue, uma espécie de conto curto, talvez ajude a isso. Outro fenómeno: quando acordei dei-me conta de que tinha viajado para a minha própria infância. Primeiro colando-se à do imaginário do livro, as brincadeiras no quartel de Mafra com as lanças confiscadas aos turras, depois outros caminhos. É uma sensação boa, acordar com a infância espalhada no travesseiro.

sábado, abril 25, 2009

Ao pé dos livros

Da Literatura fala de tudo um pouco. Não sou seguidor fiel. Mas tento não perder quando ele fala de literatura.

segunda-feira, agosto 27, 2007

O último post

Ao almoço no Noobai pego no jornal e leio uma espécie de recensão crítica do último romance de António Lobo Antunes. O critico mostra-se desnorteado diante da afirmação do escritor:" Isto não é romance, isto é a minha vida!". Anteontem tinha tropeçado numa frase de Maughan em que ele dizia que nunca seria um grande escritor porque à sua vida faltava aquela paleta de sentimentos que tornam uma pessoa humana. Chego ao gmail e encontro uma mensagem de uma pessoa que me conhece pelo que escrevo e que com humor sentencia que, a propósito do meu último post, parece ter sido escrito por um pirata que me usurpou o username do Respirar. Releio novamente o post. Eu achava que procurar alguém a quem confiar o último olhar nesta vida fosse a suprema experiência amorosa. Procurar alguém para morrer e antes, como a velhice é a antecâmara da morte, procurar alguém para envelhecer. De um ser que veio sem escolha e que tem de viver aos apalpões eu pensei que isso fosse o superlativo da poesia. E achava que consagrar toda uma existência a uma verdadeira experiência amorosa, mesmo que através de segundos, dignificaria uma vida, a minha. Afinal não me enganei só nos amores, também nos meus leitores. Parece que amam mais a linguagem do que a vida. Ora como este blogue não é senão aquilo que aqueles que o lêem esperam dele, não posso permanecer mais neste equívoco maior de esperar que escrever neste blogue seja um querer mais a vida que o linguarejar. Talvez este blogue também só exista como uma memória e uma promessa.