terça-feira, janeiro 30, 2007
A luz que de nós vem
Guardar uma mulher
segunda-feira, janeiro 29, 2007
SIGLA (S.A.R.L)
"Tenho aqui um problemazinho"
Espalhem a notícia - Milhares de pessoas assinam contra Marcelo
É um imperativo fazer correr um abaixo assinado para até dia 11 ou retirar Marcelo dos serões de Domingo ou impedi-lo de se debruçar sobre o referendo. Os juristas que avancem. Os ciber especialistas que façam uma petição online. Por duas razões:
- "Marcelo deslegitima as posições do Não, acolhe as posições fundamentais do Sim, e defende o Não ao referendo. Está-lhe a ser dado espaço para que, através da televisão pública, e fora dos espaços de campanha, ele faça, de forma enganosa, a vinculação ao Não;
- "Marcelo tem o seu grande argumento no facto de este referendo não servir para nada". Está-lhe a ser dado espaço para que, através da televisão pública, e fora dos espaços de campanha, ele faça, de forma vergonhosa, a justificação da abstenção;
De qualquer forma até que uma providência cautelar possa retirar Marcelo Rebelo de Sousa da televisão, promova-se o boicote à emissão do programa (desligar a tv, fazer zapping) e à pressão para que o DN, na sua selecção das Escolhas de Marcelo, não colabore com esta situação. Queixemo-nos à Comissão das Eleições. O assunto é sério. Até ao referendo, o Marcelo deve ir -não para a rua - para os espaços de campanha do Não.
O argumento de Marcelo Rebelo de Sousa
Blogoteca do Sim
domingo, janeiro 28, 2007
Dizer adeus
Blogoteca do Sim : "Eu abortei"
Dobram as badaladas pelo Tugir, de Luis Novaes Tito e Carlos Manuel Castro. Ainda me lembro que o meu primeiro contacto com o Luis Novaes Tito foi através de um desentendimento sobre o lugar e a presença dos partidos na blogosfera. Eu tinha razões, e algumas delas causavam até um vistaço, mas não tinha razão. Ou melhor, o desenvolvimento futuro da blogosfera veio tirar-me toda a razão. O importante não é isso. O importante é que, como me aconteceu com o João Nogueira (com quem, a partir de um diferendo desenvolvi o Metablogue), ou como me acontece por vezes com o Luís Januário, a Zazie, o Zé Flávio, o CBS, o Rui Bebiano, a Câncio, os diferendos revelam-nos, aproximam-nos. E ao longo de três anos tive oportunidade de ir contactando com aquele que é sem dúvida um dos mais importantes bloggers portugueses. O seu fascínio pelo ciberespaço, pela blogosfera, a sua atenção permanente pelas ligações, a sua combatividade, a sua capacidade de estar nas lutas que valem a pena, fazem com que sempre que há algo importante eu passe pelo Tugir para ver o que o LNT pensa.
sábado, janeiro 27, 2007
Homem- Écran
Eu explico: chego a casa, pouso os adereços do meu dia e sento-me, não importa que seja o sofá, sento-me, diante do écran, diante desta suferfície luminosa, este ruido permanente do portátil, digo, quase que o incorporei nas minhas veias, este fluir cibernético. É o meu ágora. Aqui, solitário. Eu gosto muito da minha vida. Não vejam em mim o que não sou. Levanto-me e canto interiormente a um deus que não existe. Bocejo alarvemente e rio, por cada poro. Saio para rua e gosto de perceber que os meus vizinhos são gente que em algum momento se me aparentam. A velhota do lado. Desde que me roubaram o escadote é a ela que peço que me empreste a escada, para poder subir à arrecadação. Bato à porta e ouço sempre uma voz que vem do fundo, receosa de abrir a porta, Quem é?, sou eu vizinha. Dou-lhe sempre uma palavra a mais. No outro dia ía a sair tinha a ajudante domiciliária da Santa Casa a bater-lhe à porta. Não respondeu, estava a dormir, deixou-se ficar, disse-me mais tarde. Naquela manhã apanhei um pequeno susto. Não foi um susto a sério, eu sabia que não podia ter acontecido nada de grave, ou ela tinha ficado em casa do filho, ou tinha ficado a dormir, ou tinha mesmo morrido, mas não seria nada de sério, no fundo a pequena representação que fiz do meu cuidado era apenas uma forma de me sentir um pouco menos só. De qualquer forma hoje quando lhe fui levar o escadote disse-lhe, tem de me deixar o número do seu filho, para lhe podermos acudir se for preciso. Ela deu-mo toda contente. Eu percebi que há muitas vezes que ela fica só e tem medo. Tenho menos trinta anos do que ela mas conheço esse seu medo, sou solidário com ele. O medo não tem rugas, tempo. Tenho os mesmos medos que tinha quando era criança, menos claro, a infância é a nossa idade média, povoada de cavaleiros andantes, brumas, castelos que se erguem de montes sombrios, o nosso imaginário é a grande maravilha da nossa vida, da vida humana. Sinto-me em casa, quando saio para a rua. No prédio ao lado uma actriz com quem partilhei o mesmo palco, há uma boa mão cheia de anos, em Leiria. No andar de cima um jovem pintor saotomense, que está por aqui à um mês e que conheço desde o ano passado quando não fui à sua ilha. Na esplanada encontro frequentemente amigos e conhecidos. Sabem-me bem as sopas do restaurante de baixo. O descoffee no Café da Vila. Eu gosto muito da minha vida. Não vejam em mim aquilo que eu não sou. É por isso mais verdade quando, como esta nortada impiedosa, um frio lúcido, cai sobre a minha vida e eu percebo que a minha satisfação não resolve em nada o atoleiro que é a merda de mundo em que vivo. O medíocre modo como nela pairo. E não só este écran. Tudo, os outros, as ruas, o meu ofício, é uma superfície espelhada onde me revejo, onde me procuro. Tocam os sinos em São Vicente de Fora. Parece que a rebate. Imagino uma vida de causas, assim. Como se fosse um inventário. Causa número um, a esmeralda perdida. Causa número dois, a IVG. Causa número três...qual é que era a número três? Baralho-me. Reorganizo-me. Renumero as causas. Causa número um, ser um super-herói de quinze em quinze dias. Causa número dois...faço uma pausa para respirar. O teatro, a escrita, a vida, o que isso interessa. Esta minha propensão para a ciência das coisas em movimento acaba sempre por me pacificar. Tudo é duplíce. O riso de um amigo, o passe mágico de uma pirueta no tablado, as mãos dos amantes. O que acontece. A nossa interpretação. Aqui, diante deste écran, existo sempre duas vezes.
Imagem: Susana Paiva
Janela virada para o rio
A tragédia do Jackpot
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Em defesa da vida: blogoteca

Faltam menos de quinze dias para o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez. É natural por isso uma certa ansiedade na nossa respiração. Para que se note menos irei, com paciente militância, trazer aqui os linques das postadas que mais me interessaram sobre o assunto (por favor, nos comentários podem indicar posts relevantes que tenham encontrado na Blogosfera). A face do próprio blogue vai dar, até dia 11, a primazia à informação sobre a IVG e o Referendo, destacando as várias plataformas do SIM. Não é só o ser uma oportunidade de virarmos uma página no modo como a política se deixou contaminar pelo obscurantismo religioso e se distraiu daquilo que é verdadeiramente político: ajudar-nos a viver melhor. Quando se luta por vidas, quando se luta pela capacidade de vivermos a nossa vida em decisão e responsabilidade, todos somos poucos. Sem nenhuma ordenação que não seja a da ordem de "ligação", juntamo-nos a:
Blogoteca- Vida Mas Não Toda do Luís, na Natureza do Mal. Ver também os comentários.;Fazer um aborto, da Susana Bês, no Lida Insana;O 8º Regresso (ou onde, sem vontade se interrompe. E apesar disso se continua), da Elisa, em O Livro no Espaço Triste. Também na Elisa, ballad-for-unborn , em Bebedeiras de Jazz e Dia 442 em Um dia a menos para a Morte;Pelo Sim #7, Pedro Vieira no Irmão Lúcia; Argumentário Liberal a favor do Sim, do CAA, no Blasfémias;A levar em conta, de f., no Glória Fácil;A Rota Esquisita, de Marta Rebelo, no Linha de Conta;Sim, de Eduardo Graça no Absorto; O PS e o Sim, LNT no Tugir em Português; este post de Vieira do Mar, em Maresia ;alt-ctrl-del, pelo D em Coimbra B, na Linha do Norte;"Comigo foi assim", pela Oito e Coisa, no Oito e Coisa, Nove e Tal.;"Culpa", de Leonor Areal, no Doc-Log;"O Meu Sim- Versão Minima", de Vasco M. Barreto, no Sim ao Referendo. Entradas no Respirar o Mesmo Ar: - A vida enquanto argumento; Queixa contra o Desconhecido (teatro); Tornar-se Pessoa ; Tratar da Política: O aborto e a organização do crime ; Obrigado, Woman on Waves ; Regressou a casa do pai ; Praça do Chile ; Os homens também abortam ; O aborto espontâneo também é crime? ; O efeito Zita Seabra na interrupção voluntária da gravidez ; A Malícia do Aborto ; Uma ideia em gestação ; Problemas: Indicações e Resoluções
[Em actualização]
Confissão
quinta-feira, janeiro 25, 2007
A violência doméstica e o "incentivo ao voyuerismo"
quarta-feira, janeiro 24, 2007
A vida enquanto argumento
E isto que parece uma evidência sempre, ainda o é mais num caso em que as ideias dos defensores do não e dos defensores do sim não são contraditórias nem antagónicas. Estão em oposição, no dia 11 de Fevereiro, estão em oposição na vida de todos os dias, mas não decorrem de argumentos contraditórios. O sim dos defensores da despenalização, pode perfeitamente trabalhar com os mesmos argumentos do não. Quando os defensores do não dizem que não se deve fazer a IVG porque está em causa, no embrião, uma vida humana, os defensores do sim podem reconhecê-lo e mesmo assim dizer que não estando em causa apenas isso, defendem não só que seja possível fazê-la, como também que seja possível fazê-la em condições de saúde que garantam a integridade e a dignidade da mulher. Se fossem contraditórios, a posição do Sim só ganharia provimento retórico se conseguisse provar que não há no embrião humano, vida. Da mesma forma, a posição do Não só teria algum sentido argumentativo se conseguisse demonstrar que, às dez semanas, a vida embrionária tinha um estatuto de pessoa e que por isso o poder de decisão do par ou da mulher sobre o seu destino seria uma espécie de infanticidio.
Não. Para muitos o que acabei de dizer parece um rotundo disparate: o antagonismo entre o Não e o Sim no próximo referendo, não parece ser, como aqui se diz, essencialmente um antagonismo posicional, parece mais ser um profundo antagonismo de natureza ideológica e politica.
E isto acontece porque, como sempre acontece nestas coisas, há um acantonamento ideológico e político - embora haja já muitas pessoas que defendem a diluição do posicionamento político partidário - o que faz com que, se tiveremos alguma pressa, poderemos agrupar e caracterizar social, politica e ideologicamente a comunidade do sim e a comunidade do não. Embora, se nos demorarmos mais algum tempo, e no movimento existente isso é muito claro, verifiquemos que o enquadramento esquerda e direita não produz uma decisiva mais valia discursiva sobre o esclarecimento das posições do sim ou do não. Como muito bem sintetizou Vasco M. Barreto, o que vai estar em questão no dia 11, é saber se vencem aqueles que têm uma concepção maximalista ou os que têm uma concepção minimalista da forma como a sociedade deve, moralmente, regular-se.O que vai estar em questão no dia 11, é assim saber se vencem aqueles que pensam que as pessoas viverão melhor se o ideal de vida que partilham for o mais elevado possível, independentemente da qualidade da vida que realmente vivem, ou se vencem aqueles que defendem que as pessoas poderão ter um melhor ideal de vida, se nos empenharmos em melhorar as condições reais da vida que vivemos.
E nem sei se é falta de hábito ou de vontade
Desculpe, foi engano
Ainda não me habituei à ideia de que isto é a sério
Caso de Torres Novas - fim de citação
terça-feira, janeiro 23, 2007
O direito à indignação
Luis Villas-Boas era ontem na televisão um homem indignado, quase provocando um orgasmo telúrico em Fátima Campos Ferreira quando falou na democracia dos afectos. A 5 de Fevereiro do ano de 2005 falava assim ao Correio da Manhã (na mesma peça ver a entrevista de Aidida Porto). As pessoas podem mudar de opinião. Mas sendo especialistas a quem provavelmente os litigantes recorrem nos seus processos de fundamentação, poderiam pelo menos ter uma lembrançazinha sobre o que defenderam no passado. Quer dizer, há dois anos, mais coisa menos coisa. Como é que querem que a malte não ande confusa?! [Link Correio da Manhã via Bloguítica, [138]que o tinha recolhido da caixa de comentários de Portugal dos Pequeninos] Outras leituras (não necessariamente com pontos de vista coincidentes) sobre este assunto: - "1500 euros" - de Rui Cerdeira Branco, Adufe;
- "Jornalismo interpretativo", de Sofia Loureiro dos Santos, em - "Defender sabe-se lá o quê...", de João Pedro Henriques, Glória Fácil - "Ler. Ajuda a perceber", de Eduardo Pitta, no Da Literatura - o pai adoptivo leva seis meses de prisão, Vieira do Mar em Maresia;

