domingo, maio 13, 2007
Viagens interiores
sábado, maio 12, 2007
sexta-feira, maio 11, 2007
Vadiando
Lisboa à vista?
quarta-feira, maio 09, 2007
matéria esfumaçante
terça-feira, maio 08, 2007
a minha mão esquerda, a minha mão direita
segunda-feira, maio 07, 2007
Conversa de um homem nascido em Maio (1)
O fenómeno Jardim
Nicolas Sarkozy, pour la France
Blogoteca: Southandnotnorth e Sing Singh
domingo, maio 06, 2007
Uma mulher vitoriosa: Ségoléne Royal
Urgente: Um milhão de assinaturas para Darfur
Através do Absorto, fui dar a esta petição que o Collectif Urgence Darfour está a coordenar para pressionar a ONU a intervir no local e apoiar os que escapam aos massacres. Assinar aqui.
Tortura e morte
Figuinhos da Mina
O tempo que isto é: há vinte e sete anos o Abílio tocava nos Dustra, uma banda dos Olivais. Reconheço aquele baixo. Comprou-o com o primeiro ordenado dos Correios. Tocou nos Grajaú, outra banda formada nos Olivais mas que foi um pouco mais além. E depois a sua vida tem sido isto: música a gozar. Com o Valdez e as Piranhas e agora com estes Figuinhos da Mina. Um bom som, paródico, rapsódico. Música a gozar, a brincar. A seriedade que é necessário para que o gozo se constitua.
Património afectivo
sábado, maio 05, 2007
E foram muito felizes
sexta-feira, maio 04, 2007
Apetece-me dizer bem...
Carmona desafia Marques Mendes
Privilégios do poeta
"Quero ver um Cristo ateu a blasfemar em grego como um marinheiro dançando entre as panças rubicundas sem os anjos moles do cristianismo de rendas 1 1 quero ver esse primeiro deus ateu a entrar nos templos de consumo a correr com os padrecas dos impostos e dos telemóveis e com os outros de sotaina à paisana 1 1 quero ver esse Cristo Viriato de Pentelho à Vista a incendiar o E$pírito Santo na terra da procissão timorata e da Virgem Velha e Usada 1
1 quero vê-lo a entrar no telejornal e a perturbar a missa do futebol pouco me importa que seja careca e tenha a língua torta e asas de escaravelho e cague na pátria 1 1 quero vê-lo a mijar na República e a mostrar que nunca houve um Crucifixo a não ser na cabeça podre dos que querem submissos 1 1 e a dizer que não há messias nunca houve há só pássaros raiva pura desejo nevoeiro e maresia."
XTOS ANARKIKOS, de Miguel Drummond de Castro. Privilégios do poeta, da poesia.1
1
quinta-feira, maio 03, 2007
Uma Luz ao fundo do Túnel
quarta-feira, maio 02, 2007
Namanha Makbunhe
1º de Maio
Ontem peguei na bicicleta e fui até à Alameda. Segui depois para Alvalade, apanhando o cortejo do Oprecariado ali ao pé da estação do Areeiro. Reconheci uns amigos e lá fui em marcha lenta, ao som de palavras de ordem como "País Precário/Sai do Armário", ou "Movimento Flexi", glossando a coreografia muito em voga nos espaços disco do "movimento sexy". O oprecariado era sem dúvida a zona mais criativa e mais imaginativa deste passeio de 1º de Maio. Senti-me solidário com eles, eu que só sou precário quando escrevo e já escrevo tão pouco! Encontrei também rostos que já não via há mais de vinte anos, uns, de dez anos outros, os mesmos abraços de circunstância, mas cada vez mais frios, mais passos em falso, vazios. A certa altura tive vontade de ir embora, aquele cortejo não me parecia de vida, os jovens estavam vivos, os seus slogans também, mas havia ali um cheiro inexplicável àquele bafio do tempo. Há coisas que não são para explicar. Podemos partilhá-las assim em bruto, com quem se oferece assim ao entendimento, mas os seus significados escapam-se por entre os dedos explicativos. Depois do cortejo chegar à Cidade Universitária foi a vez de falar Carvalho da Silva. Tenho-o como um homem honesto, íntegro, de ideais e por vezes, na tv, gosto de o ver quando colocado junto a uma paleta de políticos descarnados, desmemoriados. Faz figura. Mas ali à frente de não sei se um milhar de pessoas, a falar para o vazio como se aquela grande alameda estivesse repleta de espíritos e corpos vibrantes, parecia um daqueles tesouros deprimentes dos Gatos Fedorentos. Tudo no que dizia era velho, gasto, sem força. A única sombra de luminosidade que passou pelo seu discurso foi quando reconheceu que os trabalhadores estão desmotivados com o movimento sindical e que não lhe darão muito mais oportunidades do que a próxima greve geral. O momento a seguir foi patético. Uma outra voz veio dizer que depois do camarada Carvalho da Silva ter falado já nada havia para dizer mas que havia ainda uma moção de apoio à Greve Geral para votar, leu-a, e depois perguntou, alguém se opôe?, ouviram-se uns gritos, uns hurros e umas palmas, e logo, célere, expedita, a conclusão, a moção foi aprovada. Sorri. Há muito que tudo isto não me entristece. Já nem significa. A marcha da exploração do ser humano por outros seres humanos está, como sempre esteve, aí. E parece imparável, quando vista pela perspectiva destes movimentos de contenção do capitalismo, como o movimento sindical, que o Séc. XX exacerbou. Porque o grande problema, e a grande oportunidade, é que já não é pelo dizer que libertamos a nossa vida. É pelo fazer. A exploração do proletariado urbano ou rural, agrícola ou industrial pelos grandes detentores do capital poderia ser um título para uma fascinante viagem no tempo, mas já não nos ajuda a perceber as formas actuais de exploração do ser humano pelo ser humano. Os mitos da propriedade já eram. A propriedade só existe enquanto possibilidade de sobre ela se construir um determinado discurso de sedução. As dinâmicas do consumo são muito mais fortes porque fornecem um padrão universal de catárse e de libertação do sujeito. É na tentação autofágica das grandes classes médias do mundo que podemos encontrar uma das principais explicações para o sofrimento social contemporâneo.
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Foto do Absorto
A intranquilidade vista do lado da bonança
ABRAÇO COLECTIVO
Vamos ter aulas lá em baixo, sim, na sala de matrecos. Estranho, tens mesmo a certeza. Está bem, já vou, o quê ?? Não, nunca me lembro desses recados especiais, já sabes. Roupas confortáveis.
Olivais, cercanias da velha igreja,
Figura estranha, voz arranhada, olhos doces, próximos de toda a gente. Chama-se Arlete, é a nossa professora de uma disciplina de OPÇÃO – Dinâmicas de grupo. Uma roda de gente, Pedro deitado na praia, Pipa a remexer no cabelo da futura presidente Mara, a Anita a espreitar para um outro lado da sua formosura, hipnose, é o que eu chamo a isto. Hipnose, só pode ser. Ou então, uma charlatã de uma dessas coisas obscuras. Quem é mesmo esta senhora ??? O que é que viemos aqui fazer??? Isto é um curso de enfermagem, não é lugar para estas coisas imprecisas. Vá, vamos embora, Psst, Psst…Não queres vir, NÃO!!!...
as costas de um centro paroquial,
Pintar um cartaz com as nossas imagens, as nossas referências !!!! Ah, sim, já percebi. Estamos num atelier de expressão plástica. Muito bem, quantos cursos superiores estão cheios de coisas inúteis. Mas porque é que toda a gente está a sorrir, tanta espontaneidade, e cores várias a dar forma a esse papel pardo. Desculpa, sei que não tenho jeito nenhum para isto, não, não vale a pena, trago muito peso lá de fora, o pincel pesa demais nesta mão direita. É quase uma inaptidão…..Apetece-me deitar, juntar-me ao chão, talvez segurar no lápis de carvão, um azul, e outro verde, alguma coisa há de sair…Não sei se consigo disfarçar este prazer, alguém estará a reparar??? Aquela presença, o seu olhar.
Fábricas, carrinhas brancas cheias de mercadoria
Estamos tão próximos, sinto a tua pele, sinto-te a pulsar. Estás calma, e tu também, suas muito das mãos, que tal soltar a mão, já percebi, não queres romper o cordão. Mãos dadas, o olhar do outro, uns muito malandros cheios de reviengas, outros a pedir colo, muito moribundos, aquele está muito nervoso, será da presença dela, não sei. Outra a vez a fazer coisas sem sentido, tem mesmo que ser assim? Agora são os braços que se tocam, se cruzam, ficamos
Gentes da faculdade, o olhar cabisbaixo do Sr.Ramos, o coração amanteigado no dizer da Dona Aurora, um outro coração susceptível, no meu dizer.
Estou deitado, braços firmes junto ao tronco. Espero. Sinto o toque. Dedos a fazer piruetas na minha cara bolachuda. Coreografia de prazer, proximidade. Quantos bailarinos pisam assim o meu rosto?? Coisa boa demais, confesso no meu outro sotaque. Continuem, não parem, continuem, não se vão embora, acomodem-se. Por favor, eu apelo à Prof.Arlete, por favor, queiram parar eternamente no meu rosto.
estava encontrada a capela mortuária
O centro da roda. Um duelo, as armas, as nossas vidas. Cadeiras, corpo empurrado à frente, o meu discurso cheio de bolor, a ultrapassar claramente o prazo. O passado. Não, não, não, não, quero falar disso. Já posso sair, ainda tenho que ficar mais, porquê a vossa cara assustada, meus colegas, meus amigos. Tenho que acabar com isto. Não quero falar mais, não quero. Dizes-me enfim alguma coisa. Gastei todos os cartuchos. Ficam as tuas palavras, fica a tua companhia, a impressão que não estava a falar pró boneco. Continuas aí, obrigado. Talvez tenha sido bom disparar umas quantas balas.
a névoa, os contornos do ritual instituído, o corpo coberto
Ninguém quer aceitar o final das suas aulas, nem mesmo eu. Falas do grupo, das pessoas, de como podemos estar na vida de uma outra forma. Desejas que sejamos bons enfermeiros, palavras de circunstância, ainda assim, as tuas palavras. Urge fazer qualquer coisa, meus amigos, seguramente estão a sentir o mesmo que eu. Sim, é isso, ABRAÇO COLECTIVO. No uso de uma outra linguagem, diria que estamos em estado fusional. Massa de betão. Qualquer coisa de indivisível. Esta, coisa boa. Deixa-me encostar a cabeça. Tão bom. Quentinho.
As minhas lágrimas, o saber transformado em legado , o abraço. Para sempre.
Ricardo Rodrigues
terça-feira, maio 01, 2007
TÁXI-TVI
O 25 de Abril nas escolas
Revisão da ideia de "independência"
Uma vez à conversa com o J., disse-me, decerto para me consolar, que, ao contrário dos grandes mitos da nossa adolescência, não era o carro que nos dava a independência, sim uma casa. O carro só nos daria, e não é pouco, mais mobilidade. No outro dia soube que eu estava, pela enemésima vez, a tirar a carta de condução. E como bom amigo, para me entusiasmar, arranjou-me a solução.
