terça-feira, abril 27, 2010
O que se faz com um novo dia?
segunda-feira, abril 26, 2010
E se Abril por aqui passar...
sexta-feira, abril 23, 2010
Abraçar
quarta-feira, abril 21, 2010
Os que faltam
terça-feira, abril 20, 2010
O soldado Vida, 1971
segunda-feira, abril 19, 2010
Variações sobre o pensamento estratégico para a cultura
E há que valorizá-lo porque se é verdade que há muitos aspectos de natureza qualitativa relacionados com a actividade artística que são irredutíveis à quantificação, também é verdade que ela tem uma dimensão cultural inegável e que a carta de alforria da actividade cultural no quadro de todas as outras actividades produtivas depende da sua capacidade de poder ser tratada politicamente, de poder ter peso no discurso politico. Tal não se consegue se colocarmos um véu de intangibilidade, e ilegibilidade, sobre os processos e as dinâmicas culturais e sobre a sua expressão para a vida económica e social do país.
domingo, abril 18, 2010
Transe Dance
quinta-feira, abril 15, 2010
Jaime Salazar Sampaio 1925 - 2010
Devo a Jaime Salazar Sampaio e à sua iniciativa "A Dramaturgia e a Prática Teatral", a leitura dramática do meu texto Sim, Senhor, mais tarde Evaporação dos Pássaros. Foi também por causa do seu banco de textos de teatro que a Byfurcação chegou a este texto e o representou, há mais de dez anos. Mas não é isso que recordarei dele. É a fina ironia, o humor, muitas vezes corrosivo, essencial. E uma humildade sem medida.sexta-feira, abril 09, 2010
Trair o nosso amor
quarta-feira, abril 07, 2010
terça-feira, abril 06, 2010
Ficaremos aqui até ao verão
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Troveja. Não sei onde fui eu inventar trovões e raios e relâmpagos num dia tão solarengo. Troveja. O ribombar dos céus permite um assomo de irrealidade nisto tudo. Caem do céu águas, como se fosse um dilúvio. E se calhar é. Dilúvio de tudo, imagens, memórias. Até de um pézinho de salsa. Apetecia-me ir na enxurrada, galgar os diques, amanhecer em flor. Apetecia-me amanhecer como se fosse uma flor.segunda-feira, abril 05, 2010
Segunda-feira, depois da Páscoa
sábado, abril 03, 2010
A urgência da Saúde
Deles será o reino dos céus
É algo reconfortante que as palavras mais humildes vindas do coração da Igreja tenham vindo de Lisboa, de D. Policarpo. Esperemos por isso que o pregador do Vaticano, o único que detém o privilégio de falar para o Papa, não seja o único a quem o Papa ouve. Ou que reproduza o que o Papa gostaria de poder dizer, se não fosse o chefe do Vaticano. É importante no entanto percebermos que, para todos nós, crentes e não crentes, o que está verdadeiramente em causa para o papel da Igreja no mundo não são os crimes de pedofilia praticados pelos seus representantes na comunidade, sim a forma como a ICAR os silenciou, encobriu, camuflou ou relativizou.
É claro que por arrasto estará também tudo em causa principalmente a forma como não percebeu que o espartilho da não sexualidade - já para não referir o da não conjugalidade - imposto aos seus representantes da comunidade, não sendo mais sustentável na sociedade do século XXI, coloca os padres numa posição de grande fragilidade em relação ao mundo sobre o qual oram. A própria comunidade católica, apostólica e romana - feita de homens e mulheres comuns - também já vive a sua sexualidade de uma forma completamente diferente.
Ler aqui, no Jumento, Dia do Judeu.
Que Estado?
quinta-feira, abril 01, 2010
O Partido da Vitamina C
É nestes momentos que é mais difícil ser de esquerda: como resistirmos à tentação de aproveitar a circunstância de Paulo Portas ter assinado o decreto da compra dos submarinos para não lhe atirarmos lama para a cara? Há muito justo ressentimento, muita suspeita de que este personagem político tenha sequestrado o Estado para as suas manipulações políticas, para que esse ódio não transpareça agora, mesmo se não directamente. É nestas alturas que eu percebo o ódio a José Sócrates e a onde ele pode levar no exercício de ressentimento dos povos da direita. É a mesma coisa que nós diríamos de Paulo Portas se não fossêmos de esquerda e não tivéssemos por garantido que ganhamos dignidade quanto respeitamos a dignidade do outro. Esperar que Durão Barroso e Paulo Portas digam o óbvio é folk-politic. Quando é que nós aprendemos que há mais um partido no imaginário político português e que ele recruta os seus filiados em todos os partidos? O partido da Vitamina C. C de corrupção, c de cunhas, c de compadrio, c de cambalacho, c de cara de pau, c de comissionista, o suplemento alimentar para desonestos autarcas, politicos, funcionários públicos, dioceses, maçonaria, opus e demais equipa. Se Durão Barroso e Paulo Portas fossem corruptos, não o seriam enquanto responsáveis políticos, um pela Europa, outro pelo PP. Seriam-no como destacados dirigentes do Partido da Vitamina C. Ora estes não só têm a tão falada presunção de inocência - que o nosso sistema judicial inverteu para a sentença, todas as pessoas têm direito à presunção de inocência sendo que de todos inocentes nós temos o direito de presumir culpa - como podem ainda disfrutar do direito a não se incriminarem, o que naturalmente fariam se, nestas tão solicitadas declarações politicas, dissessem algo que os pudesse revelar como militantes do Partido da Vitamina C. Ou alguém que pediu uma declaração de Portas e Durão, estava a pensar que, se eles fossem corruptos, iriam bater no peito e confessar que andaram os dois a subtrair milhões num negócio do estado? Não, o que se queria é que eles entrassem neste folclore sujo do circo mediático em que, tal e qual como na inquisição, o processo é feito com toda esta dança de bruxas.
É preciso dizer basta. Havemos de os derrotar de outra maneira, companheiros!
A liberdade dele
quarta-feira, março 31, 2010
Ilhéu
Estou cercado de mar. Ponho três pedras no Jameson. Como se fosse um náufrago. Sabe-me bem o balancear das águas. Balanço eu também. Faço-me de pequenas impressões. Coisas pequenas que acontecem durante o dia. O palco outra vez a encher-se. Não tarda vem aí o D. Quixote. Estamos a trabalhar com pequenos grupos, que acompanham o processo criativo do Bando. Já fomos a Vale dos Barris, a esse refúgio que, há doze anos - vai fazer doze anos que acabou a Expo 98 e que o Bando começou a projectar-se do outro lado, a olhar Palmela, os campos, a península - é a sua casa. Vir um grupo como este para o teatro onde trabalho é semear os meus dias de interpelação, de vontade de querer fazer melhor. Já me esqueci da melancolia com que estava a querer começar o texto, o post. O gelo a derreter-se. Eu gostava de ser capaz de pensar um pouco mais mas não consigo. Ou não sei se quero. Não se consegue pensar nada quando se está sozinho. Ou consegue-se, mas é um pouco estéril. Há dias que voltei a escrever aqui no blogue e quase ninguém passa por aqui. Vou pôr mais uma pedra no Jameson. A verdade é que eu próprio já não consigo reeditar o fascínio que tenho por escrever no blogue. Fazê-lo significa que eu trabalho este ardil de pensar que tenho algo para dizer quando sei que não tenho. Quer dizer, ainda não desisti do mundo: se me sentar a escrever uma fala para ressoar no tempo teatral, aí acho que posso ser-vos útil. E o tempo do teatro está aí, cada vez mais urgente. A crise é boa para o teatro. As pessoas ficam insatisfeitas, começam a coçar-se, a ficar nervosas, a quererem estar umas com as outras, a solidão começa a ficar muito ruidosa, é a hora do palco e o palco é essa passerele por onde tu, eu, nós, passamos. Mas a blogosfera, confesso que é como este Jameson, tenho dúvidas. Entretanto, vou buscar mais uma pedra de gelo. Está quase no ponto. O problema é que não vimos aqui para escrever. Nós estamos aqui. Na sala ela está a ouvir uma música, a ler um livro. O problema é esse: há tantas coisas para deitar as mãos, livros, músicas. E pessoas? Ontem fui a cinema e quando vinha subindo a Gran via da nossa cidade, havia corpos deitados sobre a rua. Um sem abrigo ressonava, tinha o pé de fora. Hesitei entre o tapar, entre fazer-lhe cócegas ou simplesmente, seguir em frente. Segui em frente, claro. Perdi o interesse pela blogosfera? No outro dia o guarda-rios foi-se embora, apagou o seu rastro, deixou apenas um adeus. O que não temos faz-nos falta. Tu, que nunca passaste por aqui, que nunca escreveste aqui nada, fazes-me falta.
Apologia de Sócrates
segunda-feira, março 29, 2010
Tempos do teatro
domingo, março 28, 2010
Ligação perigosa
A Primavera que nos salve
Nasci em Maio e por isso sempre achei natural uma inclinação minha pela Primavera. Hoje pude finalmente tomar o café da manhã no quintal, enquanto lia o jornal. O sol batia-me na cara, vinha-me o cheiro da hortelã, da salsa, da lucia-lima a brotar, ouviam-se os sinos de S. Vicente de Fora, as vozes dos vizinhos, e eu pude perceber porque é que, intimamente, gosto de sorrir enquanto vivo. A vida dá uma trabalheira dos diabos no sentido em que o tempo de percebermos algo em relação a uma situação quase nunca é o tempo em que podemos vivenciá-la. As coisas faltam nos sítios onde as queremos. A própria querença nos desabita amiúde. Os escreventes pimba como eu fazem-se de generalizações mas a verdade é que apetece dizer que a maioria das pessoas vive preteritamente. Vive: ama, faz, desfaz, pensa. Raras são as vezes em que nos damos conta de que podemos viver de outro modo. Conseguimos as mais das vezes condescender e dizer: poderíamos ter vivido de outra maneira. E não nos damos conta, ao viver, que até no pensar assim, agimos preteritamente. Deviamos poder largar o passado e mergulharmos, mais incisivamente, na força agorética da vida em estado bruto, larvar. É por isso que a Primavera me emociona tanto. Eu já me estou ralando para a poesia da vida, a força do pino do verão, o amouchar do outono, o soçobrar do inverno. Tudo isso não passa de ideologia disfarçada de modo de vida, de humanidade nossa. E eu agora já só tolero a ideologia em estado íntimo, com ela. Eu chamo-a, ideologicamente, de meu amor, discuto com ela, grito, zango-me não menos ideologicamente, e isso, mais um ou outro convívio de amigos -e cada vez menos convivo menos - é a rara reserva de ideologia com que, nos meus tempos livres, ainda vou condescendendo. A ideologia com os outros, e principalmente com desconhecidos, é qualquer coisa que, para o que sou hoje, é uma quase obscenidade. É a Primavera que verdadeiramente nos redime. A força da terra a rebentar. Quem me ouvir a falar no meu quintal pensa que eu tenho, em plena cidade, uma courela cheia de couves, melancias, batatas, cebolas e demais hortícula. Nada disso, tenho um canteiro e depois vasos onde rebenta aquilo que me dão. Mas há num pedaço de terra, por mais pequeno que seja, desde que o deixemos sobreviver até à Primavera, uma lição de vida. Deram-me estas margaridas em Maio. Aguentaram até ao verão, depois, queimadas, desfaleceram. Desapareceram até, tão transparentes que ficaram. Foi uma amiga, ela própria Margarida, que as ofereceu. Disse para mim mesmo, no Inverno, sempre que passava por ela, moribunda: "-A Primavera que te salve!". A única coisa que fiz foi deixá-la estar no vaso. Deixei-a estar. E a Primavera salvou-a. Salvou-a a ela, da mesma forma que nos salvará a nós.
Sonho possível
sexta-feira, março 26, 2010
Adoecer, com Hélia Correia
Moderação de comentários
Comissão de Inquérito sobre a Liberdade de Impressão
domingo, março 21, 2010
Economia da Cultura: Notas
Homenagem a Mc Snake
A morte de Mc Snake às mãos da polícia é uma profunda estupidez. E como todas as coisas verdadeiramente estúpidas deste mundo, pode fazer com que a estupidez do mundo entre em loop. O que fazer? Pedir a cabeça do agente policial que o matou? Desculpá-lo com a falta de formação sobre aquela arma que tão rapidamente disparou? Atirar a responsabilidade para Mc Snake por não ter parado numa operação stop?
Proponho uma muito simples homenagem póstuma a Mc Snake: antes de darmos palpites, comecemos por ir à página do Hip-Hop Tuga. Ouçamos Mc Snake. Sam The Kid. Aquele que é chamado um dos mais irreverentes valores de entre eles todos, Valete. E continuem, segundo as vossas preferências. Desliguemos por momentos as conexões invisíveis que nos ligam aos grandes lagos imaginários de uma vida mítica, seja lá o que isso for. Entremos, pela voz destes rappers em Chelas City, a Zona Ji. Vejamos aqueles vídeos do You Tube. Aqueles cenários de cidade oculta. O cimento das paredes. Sejamos um pouco desta vida, destas palavras, deste ritmo. Desta vontade, tão igualzinha à de todos nós de construirmos uma vida diferente. E agora sim, voltemos às questões essenciais: o que fazer?
Em primeiro lugar, claro que também tenho de pedir a cabeça do agente policial que matou Mc Snake. Não no sentido de dramatizar a sua responsabilidade, mas negá-la impede que a cadeia de responsabilização prossiga. Ele disparou, tão lesto, uma arma que mal conhecia. Há uma componente de responsabilidade individual que tem de ser assumida na actuação de um agente policial. Aliás, ele é o próprio a fazê-lo, segundo leio pelas notícias. Sou solidário com a sua dor, com a sua tomada de consciência. Deve ser terrível apercebermo-nos, num flash de segundo, que a lei, a tranquilidade e a segurança de todos nós podem implicar que haja pessoas que andem com deus num colt policial. Todos os outros polícias têm de poder olhar para este caso e saber que quando lhes damos uma arma que pode ceifar uma vida, não fazemos deles deuses, acima de qualquer arbítrio. Depois, exigo a responsabilização do Estado, através da instituição policial. A polícia tem de ser rápida a pedir desculpa à família (e a indemnizá-la). A polícia tem de ser rápida, a incluir na formação dos seus agentes todos os elementos que permitam que este tipo de incidentes possam ser evitados.
Enquanto tudo isto não acontece (o mais provável é que o rapper morto e o polícia fiquem como os únicos personagens de uma história da qual provavelmente não serão senão meros figurantes especiais!) ouçamos mais uma vez o hip-hop tuga. A cultura aproxima-nos tanto!
