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segunda-feira, agosto 27, 2007

O último post

Ao almoço no Noobai pego no jornal e leio uma espécie de recensão crítica do último romance de António Lobo Antunes. O critico mostra-se desnorteado diante da afirmação do escritor:" Isto não é romance, isto é a minha vida!". Anteontem tinha tropeçado numa frase de Maughan em que ele dizia que nunca seria um grande escritor porque à sua vida faltava aquela paleta de sentimentos que tornam uma pessoa humana. Chego ao gmail e encontro uma mensagem de uma pessoa que me conhece pelo que escrevo e que com humor sentencia que, a propósito do meu último post, parece ter sido escrito por um pirata que me usurpou o username do Respirar. Releio novamente o post. Eu achava que procurar alguém a quem confiar o último olhar nesta vida fosse a suprema experiência amorosa. Procurar alguém para morrer e antes, como a velhice é a antecâmara da morte, procurar alguém para envelhecer. De um ser que veio sem escolha e que tem de viver aos apalpões eu pensei que isso fosse o superlativo da poesia. E achava que consagrar toda uma existência a uma verdadeira experiência amorosa, mesmo que através de segundos, dignificaria uma vida, a minha. Afinal não me enganei só nos amores, também nos meus leitores. Parece que amam mais a linguagem do que a vida. Ora como este blogue não é senão aquilo que aqueles que o lêem esperam dele, não posso permanecer mais neste equívoco maior de esperar que escrever neste blogue seja um querer mais a vida que o linguarejar. Talvez este blogue também só exista como uma memória e uma promessa.