
"Tudo hoje aponta, a meu ver, para o facto de a crise que estamos a viver exigir uma revolução no modo de fazer política. Mas uma revolução que aumente a sua eficácia, e esse é sem dúvida o grande problema que os movimentos de “indignados” enfrentam. Porque é bom não ter ilusões: a indignação, apesar de ser um forte detonador mediático, é na verdade um fraco operador político."
É compreensível a crítica de Manuel Maria Carrilho ao movimento dos indignados (que encontrei primeiro no Ma-schamba). Tal como é avisado o alerta de que pela apologia de uma democracia impolítica (que é já em si um conceito crítico) pode estar a abrir-se a porta ao indesejável. E nem me interessa entrar em linha de confronto dizendo que a democracia política se encontra seriamente ameaçada e que de todas as ameaças talvez a menor seja a ideia de uma democracia impolítica.
Apetece-me reflectir um pouco mais sobre este trajecto da indignação. Acompanhei alguns destes movimentos, fui a muitas assembleias populares do Rossio. Ouvi pessoas a falarem, a ouvirem-se, a aplaudirem-se, a criarem aquele clima de estados de alma a que se refere Carrilho.