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quarta-feira, agosto 06, 2008

Territórios ocupados pelo horror

Todo este processo é de uma grande crueldade. No outro dia os jornais publicaram a foto dos palestinianos em cuecas, de braços levantados, para demonstrarem que não traziam armas. Depois, o presidente da Autoridade Palestiniana exigiu-os para uma guerra que eles já não querem sua. Ao voltar foram presos pelo Hamas. Leio estes casos de pressão sonre os palestinianos que necessitam de receber cuidados médicos em Israel. Eu já não sei onde me situar no meio disto tudo. Não sei.

sexta-feira, maio 02, 2008

A zona da "não política"

No outro dia cruzei-me na Brasileira do Chiado num café rápido com uma francesa, amiga de uma amiga minha. Aquela conversa habitual sobre a cidade. Ela estava muito intrigada porque não viu os sem abrigo (sdf's) a dormir no metro. Em Paris, antes do metro fechar, hordas de sdf's fazem do metropolitano abrigos subterrâneos. Disse-lhe que cá não. Cá, quando faz muito frio umas senhoras das irmandades laicas ou religiosas vão distribuir mantas. Se o frio aperta ainda mais as senhoras antes de distribuir mantas passam pelo paço municipal e são capazes de fazer com que a Câmara distribua umas rações quentes ou improvise uns abrigos. No Natal alguns deles dão boas histórias a estagiários ou jornalistas desinspirados mas os sem-abrigo não têm nenhum valor político. Os eleitores das nossas democracias vivem dentro de casas. Nenhum político se lembraria de fazer parte substancial da sua campanha a fazer retornar à política os votos dessa mole humana que dorme nas ruas, por baixo das escadas ou das arcadas dos prédios. E vendo bem, seria uma ideia estimulante, quase uma espécie de filho pródigo: andamos aqui a consumir a nossa esperança na democracia num desencanto aburguesado e de repente, do fundo esconso das ruas mal cheirosas deste país viriam os novos democratas. Não é provável que isso aconteça, nem mesmo com o nosso Paulinho das farturas, dos pescadores, dos mercados e das vendas de fruta. Os sem abrigo, sem domicilio fixo, continuarão a poder ao menos dormir em paz sem serem sacudidos a meio do sono pelo fantasma da demagogia e da falsa política. O seu domínio são as confrarias religiosas, as associações cívicas. Nós não só não moramos na rua como vamos perdendo a nossa capacidade empática.