terça-feira, dezembro 21, 2004

Birras

O Pedro deixou de ser o Peter Pan e quando chegou uma nova história, a do Nemo, avisou logo: - Eu não sou o Nemo. Na véspera tinha-me chamado para assistir com ele ao momento do encontro do Nemo filho com o Nemo pai e, fazendo-me uma festa, declarara-me o seu afecto. Mas agora o seu semblante era grave, como convém a um deus e a um poeta. Imito-o, brincando com ele. É pior a ementa que o soneto. - Não faças essas palermices. Estou consciente do terrível acto que cometi recusando-me a oferecer-lhe primeiro uma bola daquelas máquinas de brindes a um euro, ali no Jardim da Estrela. Depois, agravando a minha pena, não o levei às cavalitas. Chorou que se desunhou. Uma birra é como uma daquelas tempestades tropicais. Levanta-se e desmonta-se num ai. Nunca sei o que fazer. Às vezes faço e, quando faço, geralmente faço asneira. Outras, fico com ele ali, o mais neutro que posso, sorrindo-lhe. Por vezes é dificil sorrir, quando os gritos escarlate atingem aquela zona de decíbeis que leva ao encerramento de muitos bares nocturnos. E lá chega um momento em que o clamor se apaga, tão rapidamente como começara. Repousa agora no meu colo. Pouso-o no chão. Ainda o ouço dizer, quero ir às cavalitas do pai, mas desligo e ele também.

4 comentários:

Carla de Elsinore disse...

está por provar que o teu filho seja o melhor de ti. (heheheh)mas é certo que quase sempre o melhor do teu respirar.

JPN disse...

Tens o coração piegas é o que é...e além disso - eu bem desconfiei daquelas conversas que vocês os dois tiveram - estás feita com ele!!!

Carla de Elsinore disse...

então tiraste-me dos links por vingança, hein?

Anónimo disse...

"Olá Eu sou a Dory!"
:-)