segunda-feira, dezembro 20, 2004

Ironia Socrática

À primeira vista parece que não acerto nem com o tom nem com o compasso. Quando era independente, votava quase sempre útil e assim, sempre no PS. Que eu me lembre, de alma, assim a rasgar, só votei na Pintassilgo e no Soares, quando o Freitas ameaçava fazer a malfadada trilogia, um governo, uma maioria e um presidente. Malfadada e que amaldiçoou a política portuguesa com essa mania pelo controlo e domínio absoluto. Como se a democracia fosse uma forma de legitimar as nossas piores obsessões totalitárias. Como se não fosse possível construir uma evidência comum sobre o nosso futuro. Agora que sou militante socialista, que tenho como adquirido que Sócrates pode vencer o PPD/PSD/CDS/PP, e não alinhando, nem de longe nem de perto, com a opinião daqueles que o igualizam a Santana (nos governos de Guterres Sócrates foi com Ferro Rodrigues e Manuel Maria Carrilho, um governante que ajudou a mudar Portugal) vivo mais desassossegado. Ouvi-o a dar recados de boa compostura a Santana, escutei-o a não dizer preto no branco, Pinto da Costa não poderá nunca representar o PS porque o PS representa-se naquilo que Pinto da Costa não é, e dei por mim a perguntar-me, está bem, ele pode dar uma vitória ao Partido, mas fará vencer os portugueses? Portugal? Não me percebo mas gosto da ideia de que foi preciso comprometer-me partidariamente para deixar de pensar útil.

3 comentários:

JPN disse...

Ou melhor, temos dúvidas. Espirito crítico. A pergunta final não é fechada, desdobra-se. Por exemplo, o que poderemos fazer para que, vencendo Sócrates, vença também uma melhor ideia de Portugal? Eu sei, o lugar comum já enjoa mas tenho de acabar o comentário: dia 20 de fevereiro seremos todos socráticos.

Anónimo disse...

De certeza que não tens um blogue, Van? Rsrs

Luís disse...

Tu já devias ter pressentido na curva de céus vários que o tempo nunca muda (citação).