quinta-feira, dezembro 16, 2004

Lá fora haverá um dia

A propósito de um comentário da Vanrose, e a questão em aberto é o que fazemos, o que podemos e para que serve o que fazemos, contei uma pequena história de uma antiga cunhada holandesa. Todos os dias fazia a selecção de lixos. Plásticos para um lado, papéis para outro, vidros para aqueloutro. Isto sem contar com os chamados lixos sujos. Viva ali na zona de Cascais e na altura não havia ainda a separação de lixos. O que quer dizer que os diferentes lixos assim acondicionados íam parar todos ao mesmo contentor. E eu perguntava-lhe: -Alie, porque é que continuas a separar os lixos se eles vão estar todos misturados? A sua resposta variava. Às vezes calava-se, sorrindo. Outras respondia que era porque se sentia bem assim, que sempre assim tinha aprendido. Que até ali, e apontava a porta da rua, as coisas eram feitas como deviam ser feitas. Que queria que os seus filhos a vissem a fazer isso. Lá fora, um dia haveria contentores separados.

3 comentários:

JPN disse...

Não discuto modos de ser, Vanrose. Adoro discutir contigo mas nem a troco de uma boa peleja iria por aí. Só te digo, a mim esse tipo de situações que te levam ao desânimo, provocam-me o sentimento contrário, a necessidade de acordar da letargia em que normalmente vivo.

Maria do Rosário Sousa Fardilha disse...

Dinâmica de grupos. Há 10 anos atrás, os fumadores ditavam as regras: fumava-se nas sessões ou havia intervalos para que pudessem fumar; mais à frente, começaram a pedir licença, eu respondia que era o grupo que decidia se se fumava ou não. abriam-se janelas para despoluir o ar e só fumava um de cada vez; hoje tudo isto é impensável: não se fuma e não é preciso dizer nada, é a nova regra. os fumadores aguardam pelo final da sessão. É claro que chegamos tarde a esta fase (fala uma fumadora).
Com a separação dos lixos vai passar-se o mesmo. Mas tb me pergunto se vai demorar. Tb há 10 anos, mas numa viagem à Alemanha, fiquei muito admirada com os 3 baldes de lixo na casa de um amigo. ele não percebeu a minha surpresa.

mfc disse...

E deve ser assim mesmo.
Apreende-se aquilo a que nos habituamos.