sexta-feira, maio 27, 2005
Os malefícios da dúvida
Sobram-me argumentos para conceder a José Sócrates o benefício da dúvida. Sobre isso estaremos conversados. O que eu não sabia é que o benefício da dúvida é um software que corre paralelamente aos malefícios da dúvida. Alheio ao economês, e para além de todas as questões que se prendem com a forma como o aumento de impostos tem tendência a criar um balão de oxigénio para as despesas do Estado há uma questão que para mim é extraordinariamente duvidosa: o aumento da idade da reforma dos trabalhadores do Estado para os 65 anos.
E, para além das razões próprias que me fazem ter o malefício da dúvida, há uma questão que para mim é de crucial importância já que priviligio a argumentação, o argumento. E ouvir Sócrates dizer que não compreende porque é que a idade de reforma é diferente no sector público e no sector privado, que não consegue entender essa diferenciação, foi para mim um sinal de esperança até ver a conclusão do argumento: nivela-se pelo sector privado.
Ora isso é a mais profunda idiotia. Um primeiro ministro que não compreende porque é que a dimensão social do trabalho se encontra melhor respaldada no sector público do que no sector privado, foi atingido por um momento de demência. Espero que tão súbita no seu aparecimento como no seu desaparecer. Só desejo que os directores gerais dos serviços da função pública não comecem a fazer jurisprudência deste socrático argumento despedindo trabalhadoras grávidas, aumentando a precariedade da contratação laboral, diminuindo direitos e regalias laborais.
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