sexta-feira, junho 03, 2005

Labirinto

Desde que escrevo num blogue comecei a desejar um amor inexistente, irrealizável. Deixei a minha casa e a minha família para o procurar. Não sabia como era, que forma tinha, o seu cheiro, agora compreendo, apenas tinha um espaço para o procurar. Este blogue. De procura em procura, vou encontrando pessoas. Quando as encontro, entrego-me a uma ocupação obssessiva: afastar-me delas. As pessoas, especialmente as amáveis, são-me perigosas. Afastam-me desse amor que eu procuro. E eu parece-me que já nem o procuro, que foi ele, na sua forma impossível e arrogante, que me encontrou a mim. As pessoas vêm e vão, amam-se, desamam-se e eu encontro-me na minha fórmula perfeita de vacuidade: sento-me à janela e nestoutra janela que é este respirar, falo de amor.

6 comentários:

Rita disse...

Labírintico, sem dúvida, esse teu sentir.

Reflexão profunda.

Suponho que todos, em algum momento da nossa vida, procuramos esse amor - querer, não querer, perfeito, imperfeito, sozinho, acompanhado, ilusão, desilusão...

Pergunta: devo ser pouco simpática?

É que gostava de continuar a comunicar...

PARTILHAS disse...

em branco ;-)

Anónimo disse...

de Amor ou do Amor?

JPN disse...

de amor.

blimunda disse...

* o que me acontece cai-me nos dias* vai ler.com um beijinho

Anónimo disse...

Mas isso, meu caro, é uma das faces do "Festim da Pedra", da maldição de Don Juan, não será?