terça-feira, setembro 25, 2007

Dizer adeus em Lisboa (4)

Há qualquer coisa de feliz nas metáforas. Nas metafóricas. Depois de quatro dias a procurar o rio, a margem para saborear a comédia que há no polén, na saliva, no suor, no próprio esperma que a experiência é, depois da carne verdadeira e macia e áspera dos nossos abraços com vinte e cinco anos, estávamos lá todos, rimos, chorámos mas mais do que isso, olhámo-nos por dentro, para dentro, tu imaginas a apoteose - abreviando para que percebas: a Pali veio assim como pôde, com o cheiro do leite da sua neta na blusa - entro no teatro e parece que alguém o preparou assim, para que tu reencarnasses no palco onde sempre estarás, uma sala aberta para o real, para a luz escâncara, para o poema que há-de vir, cabrões de vindouros, sempre a merda do futuro, pá. abraço, companheiro,

2 comentários:

sophis disse...

Leio-te muitas vezes. Comovi-me com a tua dor e com a dor dele, que acabou assim.
o trecho do FMI...continua a dizer tanto.

gerou-se a confusão natural disse...

Olhámo-nos bem por dentro, acredita. E envergonhámo-nos, alguns, pelo contributo que demos para que fosse este o fim.Eu envergonho-me todos os dias. A ti, que soubeste sempre manter viva a tua amizade, um grande beijo solidário.