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sábado, fevereiro 27, 2010

Santiago do Chile | Lisboa [Angústia]

Momentos de verdadeira angústia. As linhas telefónicas estão totalmente ocupadas, uma, outra, e mais, sempre. Rede ocupada. Do outro lado ninguém atende. As primeiras notícias que nos chegaram por via indirecta dizem que só foi um susto, lá em casa, apenas um estremecimento, a trezentos e tal quilómetros. O facto de não haver até agora vitimas portuguesas a registar é um consolo temporário, até sabermos notícias de viva voz. Mas as imagens que nos chegam da destruição em Santiago do Chile fazem temer o pior. E o facto de por cá a Protecção Civil nos aconselhar a ficar em casa dá um estranho efeito global a este endemoinhar dos deuses do vento e da tempestade.
Continuar à espera.

segunda-feira, abril 27, 2009

Apenas mais um a escrever

Quando ele escreve assim eu calo-me no silêncio da minha própria infância, no barulho das brigas, das bulhas da minha casa com os meus irmãos. Ele tem um dom, um dom cultivado, quase em segredo. É um escrevente não é um escritor. O que me lembro eu da forma como cresci até este amontoado de gente, esta amálgama de histórias que hoje sou e na qual tão poucas vezes vislumbro principio, meio ou fim?

quarta-feira, outubro 22, 2008

Manuvelho

Há dias vi os gatos a brincarem no quintal e lembrei-me de nós. Hei-de estar sempre a chorar ao teu lado, pensei. Sempre o mesmo irmão do meio. O choramingas. O mamã o joão não me deixa brincar com ele. Dores pequenas que como uma bola de neve trazem a avalanche onde um dia, mais tarde, pode estremecer todo aquele projecto couraçado que é a construção de uma identidade. É por isso que os sábios, quando os indagamos sobre a salvação do mundo, apontam para a creche, para o jardim de infância, para os pátios das escolas. É ali que o ferro, a liga mais forte dobra. Hoje não estou. Estou contigo, com as nossas memórias de algodão doce.