sábado, junho 11, 2005

O vento levanta a tua saia e deixa ver as tuas pernas brancas. O vento traz o Sol. Incha os poros, vulgo pele-de-galinha. O vento desnorteia os anjos-da-guarda, que escorrem pelo ar como encaminhados passivamente pela enxurrada. E então, pele-de-galinha. Depenada. Diz-se quando nos arrepiamos, que passou um anjo. Se está vento, arrepiamo-nos mais. Somos os troncos de árvore, as casas e automóveis que os sustêm do vórtice. Anjos que nos tocam involuntariamente. Dentro do vento somos nós que os salvamos. O vento já impediu que me não beijassem, interpondo o meu cabelo entre as nossos olhos, numa rajada inoportuna. Depois ficámos sem jeito. Engolimos em seco o vento. O vento levanta a minha saia e finjo não ver.

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