quarta-feira, junho 15, 2005

Pecado foi nunca mais ter cantado

Ela olha para baixo se a fizeres lembrar que canta. Quase cora, porque o elogio diz quase tudo sobre ela. Este talento é uma visita que faz muito de vez em quando. E que eu queria gravar na memória sonora dos minutos que passámos a ensaiar ansiedades. Que tenho na memória visual do centro do palco. Bonita, não tinha pressa na música. Talvez por isso tenha deixado de cantar alto. Com os pés no chão, terá pensado noutras coisas. Eu não perdi nada, porque sei que se, no meu dia de anos, só lhe pedisse para cantar, ela cantava. O resto do mundo, no entanto, não vai saber recompor-se.

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