quinta-feira, setembro 01, 2005

Bola de Berlim

Não sou de superstições nem crendices. De números da sorte. Amuletos, fetiches. Mas dou por mim há uns tempos entregue a um estranho ritual. Almoço, e tenha trazido de casa ou ido ao restaurante é igual, desço ao Chiado, à Bénard, para a sobremesa. Na montra várias hipóteses. Escolho sempre a mesma. Uma bola de Berlim. Com creme. E açúcar a cair pelas mãos, pela camisa, para o chão. Há dois dias que a pasteleira se esquece de mim. A empregada olha-me com ar de dó, diz, hoje também não vieram. Viro costas, desço o Chiado que falta ocupando o palato com a memória suculenta de uma bola de berlim que se me derrete na boca.

1 comentário:

sa disse...

na praia de s.julião há umas bolas de berlim que são mesmo do além...
lembro-me tb das de quarteira, que são famosas