domingo, janeiro 22, 2006

Beira Tejo

assim falaste de Lisboa. fecho os olhos e vivo uma quase-noite à beira-tejo ou um quase-dia à beira tejo e não sou lisboeta mas contagiou-me essa doença ao descerrar as pálpebras. um arrepio dessa palavra ingénua, quando não estás aqui, saudade que não sabe ser dita por quem não viu um mar ou um rio tão grávido de barcos e seres extraterrâneos, rentes ao chão como se o tejo fosse o ar debaixo dos pés, dentro da boca do céu onde dançamos a horas más e altas. http://www.miradourodaalma.blogspot.com

1 comentário:

Morpheu disse...

Sim, assim falou... a cidade. Falou nos barcos que cavam sulcos no fluir do rio enquanto as Tágides lhes acenam, e em espuma tornam seus beijos; sentem-lhe a saudade, à cidade, do tempo em que, um dia princesas, a habitaram, um castelo em cada colina, sete ao todo. Foi nas suas artes que a magicaram cidade tão bela: ficou-lhe desses tempos idos o cantar do burburinho nas ondas do Tejo, prazeirento e sorridente de margens suaves, a paleta em cores que o sol pinta, cada dia, diferentes para que nenhuma outra urbe se lhe iguale e a poesia escrita nas gentes e nas pedras envelhecidas de histórias imensas, enquanto elas, as Tágides, embevecidas e saudosas, no entardecer a olham sua, cidade encantada das sete colinas.