quinta-feira, abril 06, 2006

Amabilidade

Nunca compreendi a rudeza das almas. Nem nas almas que são rudes por natureza. Mesmo sabendo que isso implicaria não compreender uma alma rude nunca compreendi a rudeza das almas. O maior esforço que eu consigo, é, e não é sempre, olhar para a rudeza de uma alma rude com um modo doce de a ver. E parece que nesse momento há alguma coisa nessa alma rude, sem dúvida uma alma rude muito especial, que eu consigo, fugazmente, entender. Mas não se pense que isto é o desiderato de uma alma centrada sobre o seu próprio eixo. A verdade é que tão pouco compreendo a minha rudeza, esse esforço de insensibilidade que por vezes assola este coração de manteiga. E dada a minha apetência pela introspecção, é verdadeiramente notável o momento onde eu estabeleço e assumo um limite à auto-compreensão. O que eu queria dizer é que nunca te expulsarei. E sinto-me contente por ainda fazer sentido para ti lutar por este bocado de ar.

2 comentários:

Celta disse...

Respirando e cantando é que nós vamos...

maresia disse...

há ar que chegue para tudo isso?