segunda-feira, maio 01, 2006

A idade é uma ciência *

Todos os dias pelo primeiro dia de Maio é momento de acender as velas no Casarão Cor de Rosa. A Comuna faz hoje 34 anos. E eu tenho consciência de que a pessoa que eu sou hoje deve muito a ter respirado aquele ar a partir daquela tarde de Outubro de 1981. Queria ser actor e afinal aprendi o mistério da revelação. Espero ter sido digno dessa aprendizagem. Com o João Mota, lá ao fundo na Sala Vermelha, onde hoje é a Sala das Novas Tendências Cénicas. O Quico era um miúdo que nós atirávamos ao ar enquanto faziamos os exercícios do gato, à Grotowski e hoje é um homem e só isso diz muito sobre o tempo que passou. Ainda hoje me emociono no café ao lembrar-me que estive entre os operários em construção que, sobre a batuta disciplinada do Melim Teixeira, levantaram aquele Café-teatro e que estreou com um Deixós Poisar magnífico na sua irreverência, na sua energia e poesia. Recordo-me da maior parte dos quadros: A Loira Alves, essa tremenda homenagem a Laura Alves de Carlos Paulo, actor que para mim corporiza como ninguém a ideia do poemacto de Herberto Hélder, o actor é um tenebroso recolhimento de onde brota a pantomina, A Nossa Senhora e os Pastorinhos, com a Carmen Marques, a Teresa Lima e o Francisco Pestana e o Joel Constantino, O Guardador de Rebanhos, lido pelo João Mota (descobri aí Fernando Pessoa e ainda me recordo da sensação de estranheza ao pensar que tinha vivido dezanove anos sem ter aberto o livro dele que, como àÁlvaro de Campos, estava na estante lá de casa). Eu estudava teatro, com o João Mota, o Cláudio Torres, a Vera Ribeiro da Silva, o Melim Teixeira. Eu, o Pedro Rosado, o Ovídio, o Fernando, a Paula e a Ana, o Zé Rui, hoje no Acert, a Luzia Paramés, o Mário, o Artur Mendonça, o Marginal, o António, o Eurico e a Celina, o Marques Arede, o Paulo Ferreira, a Antónia e o Antóno Coelho. Onde estarão estes companheiros do sussuro, do grito, do esventramento? Onde estiverem são portadores de um segredo que é o terem tido um instante de proximidade com um colectivo cuja história imensa é incontável. Obrigado Comuna! * titulo de uma entrevista que João Mota concedeu a Maria João Avillez, no Expresso, há muito tempo.

1 comentário:

Ricardo disse...

Realmente a COMUNA está de PARABÉNS. Para comemorar abriu ontem as suas portas a quem lá se quiz deslocar para assistir à peça www.feios.porcos e maus.pt. foi um espectáculo no café tearo, para mais tarde recordar.