segunda-feira, outubro 02, 2006

É sempre tarde quando aqui venho. Atraso-me demais. Fico por outros sitios, por outros lugares, por outros rostos. Aliás, não creio que aqui haja faces, olhares, gente. Este lugar é uma invenção contra a solidão. Levanto a voz no teclado, no êcran, componho e imagino interlocutores. Falta-me assim a morte, o suícidio e a loucura. Falta-me tudo. Ou falta-me quase tudo. Falta-me a solidão e a loucura. O que fazer da vida esvaziada do que lhe dá tonalidade e robustez? E será ainda vida, uma vida desprovida assim de quase tudo?

8 comentários:

Zé "Prisas" Amaral disse...

Mesmo assim, pode reparar-se que existe uma janela aberta. Caminhos de outros sítios e lugares por onde pode andar.
Pior, poderei dizer, estaremos nós.

Mas tudo é relativo.
Como quase tudo que acaba por não ser nada ou coisíssima nenhuma.

No entanto, tem vários rostos neste momento a olhar para aqui.

Sony Hari disse...

Pelo menos dois já cá estão, e se me permite acrescentar, acho que chegou bem a tempo de dizer o que queria ...

Anónimo disse...

Quem escreve dessa forma e género literário ,só pode ser um génio em solidão mas escreva, escreva sempre.... lei-o ávidamente como que a respirar o mesmo "Ar"no mesmo vazio e barco; encontramo-nos diáriamente aqui.
Apesar de o sentir melancólico consegue escrever e dizer tão bem tudo, que me prende ao ecran mesmo em qualquer madrugada e em qualquer lugar obrigado por isso . Uma Flôr para SI

Luis disse...

Joaquim

Há sempre alguém.

Exagerada disse...

Aqui te esperamos todos os rostos inventando nossos próprios mundos. Fica-te e nos esvaziamos juntos.

sete e picos disse...

fizeram-me lembrar a trova do vento que passa, do adriano correia de oliveira.

há sempre alguém que semeia, canções no vento que passa..

JPN disse...

:)

a. disse...

Qdo por aqui passar avise-me, terei o maior prazer em lhe mostrar as luzes da noite sobre o rio (e os gatos nos telhados). Se fôr dia, não se acanhe e avise na mesma: levo-o ao cimo das torres. E falo a sério :)