segunda-feira, janeiro 22, 2007

Coisas de mulheres

"O meu voto é pelo direito das mulheres decidirem. Acho inacreditável que em pleno século XXI as mulheres portuguesas possam ser presas por coisas que só a elas compete decidir". No inquérito do DN, responde assim João Botelho. A maior parte dos que por aqui passam sabem a minha posição sobre o referendo. Votarei sim. Pelo direito de decisão. Das mulheres, dos homens, dos casais. Parece-me no entanto absurdo essa desvinculação do homem de uma decisão tão dificil como o é a de interromper voluntariamente uma gravidez. Concordo que a mulher possa decidir se vai ou não ter a criança, mesmo que o homem com quem se acasalou não o queira. Ou seja, que em última instância, a decisão é da mulher. Mas isso é em tudo diferente do que dizer que é uma decisão que só compete a elas. O meu lado mulher diz-me que não.

5 comentários:

cbs disse...

penso exactamente o mesmo.
se a relação for normal não há razão nenhuma para que o homem não seja ouvido.
Choca-me bastante que não oiça e se cale o outro, mesmo que se discorde, isso é de uma violencia semelhante à dos "machões latinos".
Aceito a decisão da mulher, seja qual for, mas tenho todo o direito de dar os meus argumentos se a situação me envolveu... porque envolveu e muito, não estamos a falar de onanismo :)

Felizmente o que se passou comigo foi a dois.

sete e picos disse...

tenho a certeza que o teu lado de homem também está de acordo.. abraços.

na prise és bestial disse...

Concordo contigo. O meu lado homem diz-me que os homens não podem ser invisíveis nesta decisão.

M em Campanhã disse...

também acho que um futuro bebé é uma questão de ambos, mesmo que um deles esteja a leste. isso pode ser até um argumento. e no entanto tanta gente defende que é assunto estrito da mulher.

isto demonstra que um referendo destes deveria conter no mínimo umas vinte perguntas, para que a maioria de nós se revisse numa delas. mas só tem uma, e temos de encaixar no seu sim.

não posso é com a cambada de míopes (ie, incapazes de focar o alvo) que dizem ser contra a prisão de mulheres que abortam, mas que vão votar não.

JPN disse...

cbs, atenção, vou fazer uma precisão: eu escrevi " parece-me no entanto absurdo esta desvinculação do homem de uma decisão tão dificil como o é a de interromper voluntarimente uma gravidez". não escrevi que o homem deve ser ouvido. aliás, eu também escrevi " concordo que a mulher possa decidir se vai ou não ter a criança, mesmo que o homem não queira". O que eu acho é que os homens se devem fazer ouvir. Que não se devem desvincular de um processo tão dificil como é o de fazer a IVG. Tal como eu acho fascinante que cada vez mais homens descubram, no periodo da gravidez, a aventura da paternidade e "engravidem" também, á sua memória. Não estou a falar em termos de direitos. Estou a referir uma existência aventurosa, partilhada. Gosto das mulheres que nos querem por perto, no desmancho e no armanço de uma gravidez.