segunda-feira, abril 16, 2007

É quase verão

Abril vai num ai. Será depois Maio, da espiga, da claridade, da delonga. O meu mês. E depois o torpor de verão. As férias de pai. Voltaremos a nadar no rio Minho. Nas praias do Gerês. Ou na Ponte de Bico. Andaremos pelos caminhos do monte. Da esteva. O cheiro a pinhal. À procura das amoras silvestres. Das pinhas, dos pinhões. A resina nas mãos. Faremos o caminho das Portelinhas. E à noite iremos até ao parque infantil do Balneário Termal. Da igreja vê-se o cemitério, a campa do meu pai. Eu ainda não lhe expliquei como é que o avô pode estar ao mesmo tempo no céu e na terra. Caldelas é um lugar para a infância e para a adolescência. Depois, quando o tempo passa e a vila começa a morrer dentro de nós, voltamos para passar o testemunho. Para vermos tudo pequeno outra vez.

3 comentários:

apicultor disse...

Tenho um sítio assim parecido, é longe e é perto. E tu sabes do que falo que falamos do mesmo, em sitios diferentes. Abraço.

Anónimo disse...

O meu lugar sagrado é junto de um rio, vou para lá todos os anos, eu E o meu filhote. Inventamos rituais proprios, pedimos a senhora das aguas uma panoplia variada de desejos atirando pequenas pedrinhas. Lá eu tenho paz.
Maria joão F mulheresforadehoras

M em Campanhã disse...

há tantas coisas a que regressarmos quando o futuro nos chega pelas nossas sementes (parafraseando NBC no seu viciante bem-vindo ao passado)