sexta-feira, junho 29, 2007

O que farei com este link?

Quando deixei aqui o link para a petição online de apoio ao professor Charrua, coloquei como marcador 25 de Abril. Pensava ser apenas uma pequena provocação literária, daquelas proezas que nos rejubilam enquanto bloggers. No dia seguinte compro o Público, é sexta feira, e deparo-me com a notícia de que Correia de Campos afastou Directora de Centro de Saúde por ter permitido a afixação de um cartaz que reproduzia uma notícia com declarações do ministro, tendo depois um pequeno comentário. Manuel Alegre fala, justamente, numa deriva autoritária em curso na actual administração pública. Haja socialistas que reajam. E agora? Que provocação literária farei? Um link para o Discurso do Filho da Puta de Alberto Pimenta?
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Tenho por princípio não apagar posts em que já houve comentários ou ligações. Um post é um texto esburacado, disponível ao seu completar por parte de ligações ou comentários. E quando me apercebi que tinha sido totalmente manipulado na informação sobre este caso, já era tarde demais, já havia pelo menos três comentários. Escrevi este post porque, face à notícia, fiquei com ideia de duas coisas: primeiro de que aquilo tinha acabado de acontecer. Depois, que, acto contínuo, o Ministro tinha demitido a directora do Centro de Saúde. Ora, como se verifica pelas notícias do dia seguinte, não foi isso que se passou. Os factos aconteceram há um ano. A demissão não foi imediata. Para além disso, a versão do Gabinete do Ministro aduz outros factores para a demissão. É altura de recuar: mantenho este post apenas por respeito aos seus comentadores. Não me revejo nele. Nem alinho nesta tentativa de manipulação dos factos.

16 comentários:

as velas ardem ate ao fim disse...

Está a tornar se deveras preocupanre.

bjinhos

M em Campanhã disse...

é assim, eu até acho que o PS anda a fazer figura triste em empenhar a sua imagem neste tipo de acções mas também acho que se faz muita figura ainda mais triste nos serviços e repartições públicas do país onde parte do tempo de trabalho é dedicado ao escárnio e mal-dizer. porque ter uma posição crítica séria, responsável e eficaz é coisa muito diferente de afixar nos corredores de um CS cópias de notícias com umas bocas à margem. há sedes próprias para a tomada de posições: os VIP nos jornais, os marginais grafitam as paredes, os funcionários dos serviços têm os orgãos dos mesmos.

rui mota disse...

O texto do Alberto Pimenta é sempre actual...

someothertime disse...

Concordo plenamente com M em Campanhã.

Basta ver, aliás, que o tempo é investido, e não perdido, nos gabinetes dos Srs. Ministros e Secretários de Estado e Directores-Gerais, por isso a Nação, a cada dia que passa, alcança níveis de pujança, arrojo e prosperidade nunca vistos na Europa. Mesmo Malta encontra sérias dificuldades em nos ultrapassar. Isso são factos, srs funcionários, não são opiniões avulso.

Ao invés, gente de baixa extracção e nível (cf. funcionários público, VIP, marginais), desperdiça e molenga o seu tempo em polémicas e controvérsias estéreis, com o único propósito de minar o espírito inovador dos nossos bem amados governantes.

a figura do PS é triste, mas bem triste e solitário é governar, mandar.

viva o PS. viva o Governo. viva a Nação

PS : este blog deveria ser eliminado, porque isto não constitui posição séria, crítica, responsável e eficaz.

PS! PS! : sugiro mesmo que os cidadãos do PS que se sintam atingidos processem o autor deste blog.

PS! PS! Portugal! Portugal! : se querem fazer comentários que os façam nos orgãos competentes.

Joaquim Diabinho disse...

tanta admiração quando é sabido que a função de bufo foi, durante o fascismo, uma ocupação tradicional em full-time para cerca de 500 mil portugueses, na maioria pagos pelo orçamento do Ministério do Interior por despacho de uma das suas direcções-gerais mais emblemáticas: a Pide/dgs.

JPN disse...

someothertime: obrigado pelo seu primeiro comentário. o outro, em que referia M em Campanhã foi eliminado, por não corresponder ao mínimo de delicadeza que se espera entre blogguers. aqui não se respiram insultos!

someothertime disse...

sabes, caro JPN...

apesar de não ter gostado da tua acção, compreendo-a e acho-a ajustada.

porque este blogue é o teu espaço. aqui ditas as regras e quem não gostar que se mude (eu não me vou mudar). e isto com mais ou menos ajuste, mais ou menos contradição, que a vida é assim mesmo.

diferente, muito diferente é quando mexem nas regras (que foram conquistadas) do espaço de todos nós, quando uma pessoa interpreta e manipula para seu único proveito o que é de todos - a liberdade de opinião e de expressão.

por isso, chamei o que chamei a M (e no blog do norte também ao Pitta).

a diferença é nítida e a cegueira em não a ver é perigosa. a minha reacção deve-se ao medo de ver instalado, agora num sítio, depois noutro, já no poder, essa cegueira.

rui mota disse...

Correcção: o caso não se passou há um ano. Passou-se há seis meses. A exoneração (como de resto, a nomeação) foi política. Quem foi substituir a directora-geral do hospital foi um "comissário político" do PS. O gesto do ministro foi condenado dentro do PS, por figuras como Manuel Alegre, Mário Soares e Vitor Ramalho. Porque Sócrates percebeu que Correia de Campos tinha metido o "pé na poça", obrigou-o àquela patética conferência de imprensa, a explicar o inexplicável. Depois deste triste episódio, receio bem que tenhas de corrigir o teu "post" outra vez...

JPN disse...

someothertime: obrigado pela tua compreensão. e partilho dessa preocupação face a atitudes de autoritarismo que minam o clima de confiança no uso da liberdade de expressão.

Alba disse...

Olha, JPN, posso pedir um post? Daqueles como só tu sabes escrever e que nos fazem tão bem?

Obrigada :)

JPN disse...

rui mota, talvez devas adoptar também a corrigenda que me aconselhas: o caso do cartaz começou há um ano aproximadamente. o episódio é lamentável, é triste, pouco abonatório do ministro, estou certo disso. mas isso não faz com que não lamente o meu post, já que quando o escrevi pensei que estava a referir-me a um acontecimento posterior e se assim é, ele não faz sentido se os factos não se passaram como eu pensava que se tinham passado. admito que isso para outras pessoas não signifique nada, para mim, para o que escrevo, significa tudo.

rui mota disse...

Formalmente, poderás ter razão. Mas, o essencial não é o prazo. O essencial é o acto do ministro. Pior, o ministro, só "à posteriori", evocou a falta de competência da directora-geral para demiti-la. Isto, depois dela ter funcionado durante mais de dois anos naquele lugar! Se ela era assim tão má, porque é que ele não a exonerou logo em 2005? Isto faz algum sentido? E porque é que ele a substituiu por um "comissário" do PS? Já vimos este filme em qualquer lado. Certamente num cinema, bem perto de nós...

JPN disse...

exacto rui mota, este é um filme com cromos repetidos até á exaustão. e por isso não se enquadra naquilo contra o qual me tenho vindo a insurgir, a arte dos bufos e do despotismo que existe, recalcado, em cada pedaço de espírito ainda salazarento.

JPN disse...

Ó Alba! A tua simpatia não tem limites!

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Infelizmente tenho a sensação de que somos permanentemente manipulados, pelos fragmentos de notícias que aparecem, pela altura em que aparecem, pela omissão de notícias, da parte de todos os agentes políticos e, o que é mais grave, por parte dos agentes de informação.

Anónimo disse...

O pior cego é aquele que não quer ver/ler


Saúde

Ministro justifica despedimento com «incapacidade»
O ministro da Saúde justificou hoje a exoneração da ex-directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho acusando-a de «deslealdade» e «incapacidade» para o cargo


Em conferência da imprensa, o ministro Correia de Campos explicou que a ex-directora foi confrontada duas vezes pelas autoridades regionais de Saúde sobre o comentário jocoso (que segundo o ministro o atacava politicamente) e, em ambas as situações, «transferiu as responsabilidades para terceiros».

Estas acções, defendeu o ministro, são «prova pública de incapacidade» para o cargo.

A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada pelo ministro da Saúde por não ter retirado um cartaz afixado nas instalações do centro contendo declarações de Correia de Campos «em termos jocosos».

O despacho de exoneração foi publicado quinta-feira em Diário da República e uma cópia foi fornecida à agência Lusa por deputados socialistas que se manifestaram «incomodados com a situação».

No despacho do Diário da República pode ler-se o seguinte: «Pelo despacho (...) do Ministro da Saúde, de 5 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo», refere-se.