quarta-feira, junho 11, 2008

Caminhos bloqueados (alguma coisa do que se ouve por aí)

"À direita reina um discreto regozijo, espécie de vingança póstuma face ao chamado buzinão da ponte 25 de Abril, de 1994; à esquerda, no campo do PCP e do BE, balbuciam-se umas vacuidades a meio caminho entre o apoio à paralisação e o receio das consequências futuras desse apoio. (O que pensará Manuel Alegre disto tudo?) Se não for alcançado, rapidamente, um acordo razoável, que ponha fim às manifestações “selvagens”, não pondo os contribuintes a pagar a ineficiência da maior parte da indústria de transporte de mercadorias, vamos ter um problema complexo, nos planos político e logístico. E, provavelmente, pancada da grossa. Aí os que, hoje, clamam contra a passividade do governo face aos desordeiros, contra a incapacidade de Sócrates, (afinal um fraco!) para impor o cumprimento das leis do estado democrático de direito, vão virar-se contra ele apelidando-o de autoritário, quiçá, uma vez mais, de fascista. Se o que estiver em causa forem mesmo, comprovadamente, as liberdades públicas ao governo não restará outra alternativa senão tratar de as repor. Mas, neste conflito, como em todos os outros, mais vale um mau acordo do que uma boa demanda. É o que se deseja que aconteça, com razoabilidade, nas próximas 48 horas! " Eduardo Graça, Absorto
"Temos aí a greve dos pequenos e médios patrões dos transportes. Os pequenos e médios patrões eram, convém lembrar, os aliados naturais da classe operária, esse sujeito redentor da história. Os pequenos e médios patrões dos transportes são, a crer nas imagens da televisão, uns pequenos e médios brutamontes. Barraram as estradas aos motoristas assalariados pelos colegas insolidários e pelos grandes patrões da distribuição. Protestam pelo aumento dos combustíveis. Podiam protestar contra a Galp, a BP, a Exxon. Dado que as companhias petrolíferas não têm face, o interlocutor é o nosso legítimo governo democrático. O nosso governo hoje anda para aí a comemorar o dia da raça e amanhã, depois da esperada vitória da selecção de todos nós, vai sentar-se à mesa da negociação. Com os nossos impostos, com a nossa ruína, vai aplacar a fúria dos pequenos e médios patrões dos transportes." Luís, Natureza do Mal (de onde surripiei também a imagem)
"num instante, os nossos ditos brandos costumes transformam-se no horror daquilo que o Homem ("se isto é um homem"), esse péssimo selvagem, tem de pior. a cegueira que nos toma quando a nossa razão é maior do que a dos outros. " Mónica, na Linha do Norte
"Está toda a gente a fazer de conta, a começar pelo governo, que não existe hoje um grave problema de ordem pública em Portugal. Tudo na paralisação das empresas de camionagem é ilegal e ninguém quer saber. Impedir a circulação e bloquear estradas é ilegal, organizar piquetes que impedem com violência os camiões de passar é ilegal, e tudo isto é feito diante dos olhos dos agentes da GNR que passivamente assistem não se sabe bem para quê. Presumo que terão instruções para não prenderem ninguém, para não irem ver de onde vieram as pedradas, para garantir a passagem de quem quer passar e são bastantes os que o desejam fazer. Eu sei que no governo estão os que foram para a Ponte 25 de Abril incitar ao bloqueio e participar nele, mas deixar que o império da força se instale nas ruas e estradas paga-se muito caro. Os sinais que estão a ser dados são todos de fraqueza do estado e da lei." Pacheco Pereira, Abrupto
"O conflito dos camionistas, como o das pescas, é um revelador muito potente das tensões que a crise dos preços dos combustíveis está a induzir em Portugal e noutros países europeus e que exigirá medidas de vária natureza, com prazos e com objectivos que vão do curto ao médio e longo prazo. Conceber essas medidas, discuti-las, aprová-las e fazê-las aplicar é tratar do fundo da questão.O que a comunicação social mostrou ontem são formas de protesto inadmissíveis num Estado de direito, que corroem a autoridade e a legitimidade do Estado democrático e, ainda por cima, dificultam a resolução das questões de fundo. É por isso que junto a minha voz à de Vital Moreira quanto às preocupações que ele manifesta quanto aos efeitos do que ontem uns fizeram e outros não impediram." Paulo Pedroso, O Canhoto
"Hoje assistimos em directo na televisão a vários crimes previstos e punidos no Código Penal, nomeadamente coacção, dano, lançamento de projécteis contra veículos, etc., perante a geral complacência das forças de segurança. Os camionistas gozam de imunidade?Se fosse um piquete de uma greve de trabalhadores a impedir pela força um camião de entrar numa empresa, a polícia de intervenção seria chamada a resolver a questão, como sucedeu há uns meses numa greve de trabalhadores do lixo. Hoje nada disso sucedeu nas várias situações de coacção ocorridas. Os camionistas gozam de alguma imunidade?Se os trabalhadores em greve desrespeitarem os serviços mínimos essenciais, são objecto de requisição administrativa. Hoje foi impedida a circulação e o transporte de bens essenciais. Os camionistas gozam de alguma imunidade?E a autoridade do Estado entrou em licença sabática? Ou me engano muito, ou o Governo está a arranjar lenha para se queimar..." Vital Moreira, Causa Nossa

1 comentário:

Hugo Jorge disse...

O Presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis recomenda a compra de uma bicicleta.

http://diario.iol.pt/economia/combustiveis-filas-portugal-postos-anarec/961393-4\
058.html

Saiba como utilizar a bicicleta na cidade:

http://bicicletanacidade.blogspot.com/

http://100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com/