quarta-feira, agosto 13, 2008

A espuma semiótica

No caso do Assalto em Directo - ou deveria dizer, mais uma vez, como no caso do assalto em directo - talvez fosse produtivo debruçarmos-nos sobre a nossa incapacidade de confiarmos na nossa impulsividade para tomarmos partido, para exprimirmos uma posição, na nossa dificuldade de produzirmos juízo. Nos novos oráculos, figuras como Moniz, Santos ou Carvalho comandam os exércitos reprodutores de sinais mas somos ainda herdeiros de Kant, Platão e Aristóteles, caramba. Há muita espuma. O facto de serem imigrantes, de serem brasileiros, é espuma. Ou seja, é espuma para avançarmos no caso do assalto mas não o é, como o fez jpt, para analisarmos a forma como neste caso emudeceram os nossos detectores para o preconceito racial. Os limites do directo, na perspectiva da avaliação do trabalho jornalístico, é espuma. E há também aquilo que embora esteja para além da espuma, espuma dentro de nós: os complexos interiores que despoletam sem aviso, como o da autoridade, o da luta contra a autoridade. O facto de ser espuma não quer dizer que não signifique. Significa e devemos assinalá-lo. E discuti-lo. A estratégia policial, é espuma também. O tiro legal na nuca, a imagem que o Luís trouxe (e falo também da poderosa imagem que acompanha o seu post), não é espuma. O Estado tem o monopólio da violência legítima, que li no jpt, também não é espuma. A paz e a guerra dentro da nossa vida quotidiana, também não é espuma. O directo como reflexo da rendição da edição informativa tradicional, e das condições que ela necessitava para ser credível, também não é espuma. Ou, melhor, para não parecer demasiado arrogante: não são espuma ainda.

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