segunda-feira, setembro 13, 2010

O meu dia 13

Ela fala, no dia 13. O dia 13 de Setembro é um dia importante no calendário mariano relativo às aparições de Fátima. Sei isso porque durante muito tempo a minha mãe, mesmo sabendo que metade dos seus filhos eram agnósticos ou ateus, nos tentou consolar por aquele 13 de Setembro de 1994, dizendo que a Mãe de Jesus tinha vindo buscar o nosso pai. É por causa disso que me lembro pormenorizadamente de todo esse meu dia, desde manhã cedo, em que fui fazer um anúncio para a Telecel, até à hora do almoço quando a minha primeira peça saiu nos Donos da Bola da SIC, passando pelo fim do dia quando soube, de sopetão, que o meu pai já se tinha ido embora deste mundo. Aceitar a morte daqueles que fazem parte de nós é um dos trabalhos mais importantes a que podemos dedicarmos-nos e a nossa vida, e a daqueles que nos rodeiam, ganham quando isso acontece. Crescer não é apenas fazermos o que as expectativas desenharam para nós. Crescer acontece quando percebemos que a responsabilidade que podemos ter na melhor vida do mundo à nossa volta é a responsabilidade que quisermos tomar como nossa. Amar a delicadeza. Desfazer-me em fumo e delicadamente dizer, a morte e a vida no mesmo quadrante. Tudo isto serem palavras e mesmo assim, nos escombros depositados nas palavras, haver um princípio activo. A vida é um fenómeno comovente. Ou que só atingimos verdadeiramente quando nos comovemos.

2 comentários:

CCF disse...

"Ou que só atingimos verdadeiramente quando nos comovemos"...JPN, tão bonito, tão verdadeiro!
Um abraço apertadinho
~CC~

Beuxa disse...

Um texto muito bonito e sentido!