Há medida que crescemos, muda a nossa relação com o tempo. E, simultaneamente, a nossa relação com a morte. O tempo é um brinquedo demasiado complexo para o sabermos entender com dez, vinte, trinta anos. É claro que sem isso não conseguíriamos viver. Seria insuportável. Há um desconhecimento do tempo que nos permite agir. Estamos certos em não percebermos o tempo. Mas depois, chega uma hora emque tudo se desfaz. Como se um torrão de areia se esbroasse. Percebemos então que em cada grão de tempo que escorre na ampulheta estão agrilhoados, em estado de libertação, pelo menos, 3 tempos: o tempo que é, o tempo que não é, e o tempo que poderia ser. E digo pelo menos três tempos porque é isso mesmo que podemos perceber. Todos os outros tempos, como por exemplo o cósmico, esses, não os atingimos ainda.
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quinta-feira, novembro 18, 2010
segunda-feira, setembro 08, 2008
Viagem no tempo
Sento-me à secretária e começo a imaginar uma pequena viagem no tempo. Há doze anos. Setembro de 1996. Tinha acabado de iniciar um contrato de trabalho pelo prazo de um ano como coordenador cultural no Departamento Cultural do INATEL. O convite tinha-me sido feito por Carlos Fragateiro, vice-presidente, em Abril de 2006, para dinamizar um Observatório das Actividades Culturais do Instituto. Nessa altura dava aulas numa escola profissional do Monte da Caparica num curso de animadores culturais e trabalhava como animador num projecto de prevenção primária às dependências, no Bairro da Boavista. Para além da actividade docente, como colaborador externo, na Escola de Enfermagem da Gulbenkian, que iniciei em 1992. Em termos de liquidez financeira a proposta não era tentadora - embora se encaixasse em todos aqueles arquétipos que nos enfiam na cabeça do emprego seguro, etc, etc. - mas o projecto era fascinante. Conhecer a realidade cultural de um Instituto como o INATEL foi um privilégio. O Instituto tem delegações em todas as capitais de distrito que têm, cada uma, uma equipa cultural. Eu era animador cultural, desenvolvia formação nesta área, mas desconhecia por inteiro o trabalho gigantesco que era feito neste domínio por esta Instituição que só conhecia por nela trabalhar um dramaturgo, o Fernando Augusto, que eu conhecera nos encontros do CITAP na Amadora. Foi há doze anos. Na instituição experimentei um pouco de tudo. Muitas vezes me tenho perguntado o que poderia estar a fazer senão tivesse acorrido ao convite do Fragateiro. Na altura prezava muito mais a minha liberdade do que prezo hoje. Prezava-a de uma forma intelectual, conceptual. Hoje, que me tornei numa espécie de anarquista sem rumo, a liberdade, como canta o Palma, é uma maluca que sabe bem quanto vale um beijo.
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