quinta-feira, junho 02, 2005
Atravessar os lugares
Termino na próxima quarta feira no Museu da Cidade um percurso singular em Almada: um atelier de escrita poética que passou pelo Museu do Sítio, pelo Fórum Romeu Correia, pelo Jardim do Castelo. Ontem ao fim da tarde deitámo-nos a recuperar no Jardim do Castelo as vivências incrustadas nos lugares.
Agrada-me a ideia. Quando os lugares são construidos a arquitectura projecta neles funções de uso e de deleite. Aqui será um restaurante. Dali ver-se-á o rio em toda a sua beleza. Anos mais tarde passámos por ali e fazemos o trabalho inverso. Havia alguém que não consegui ver outra coisa que não o 25 de Abril. Outra nobres, fidalgos e fidalgotes. Ouviu-se também uma pequena formiga, balançando numa folha. E alguém, sentado sobre as raízes a perceber que não era sobre as raízes da árvore que se sentara, sim nas dela mesma.
Trabalhar a escrita num atelier será uma das actividades menos espectaculares de todo o dispositivo do trabalho expressivo. Cada um diante de cada qual, uma folha, uma caneta. Há no entanto uma surpresa, o da constituição de cada um enquanto espectáculo.
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