domingo, março 11, 2007

A missão

Ele está cada vez mais crescido. É como o pé de feijão do João. Cresce da noite para o dia. Quando me critica, sorrindo. Quando desmonta uma birra porque percebe que não vai dar. Ou quando se entretem com os seus desenhos, os seus livros, os seus pensamentos. Quando me faz perguntas difíceis à espera de respostas fáceis. Quando me faz companhia. Ou quando quer ir à casa de banho sozinho. De quinze em quinze dias há sempre uma coisa nova a lembrar-me de que ele é uma nave que viaja à velocidade da luz pelo espaço. É bom, mas antes de ser bom nem sempre é fácil. Ou então sou eu que sou assim. Estava eu nisto, a pensar em como já não sou preciso para nada quando ouço uma voz vinda da casa de banho:
-Pai, pode vir cá?
- O que é que foi?
- Fiz cocó.
- Boa! - E fecho a porta voltando à minha vida.
- Pai, venha cá.
Abro a porta.
- Pode limpar-me o rabinho, pai?
Desfiz-me em ternura. Ainda tenho uma missão.