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sexta-feira, dezembro 05, 2008

Onde?

Arrumo, arrumo, arrumo. Metade da minha vida, metade?!, dois terços da minha vida é caos, um terço, um terço?!, um milésimo avo, é ordem. Sou desse lugar ainda por existir. De entre o futuro lixo, recortes de imprensa, entrevistas, reportagens, textos. Caderninhos de sentimentos que hoje nos fazem corar, sorrir. Houve um de mim que morreu e sobre esse vazio, construo, aos solavancos, a minha nova identidade. Há meia dúzia de anos escrevi a meio de uma angústia, faz algum sentido que numa idade em que os meus companheiros de bilas já começam a pensar em pprs eu ainda esteja aqui às voltas com a minha identidade? Hoje já não prefaciaria tamanho disparate. Bem aventurados os que renascem e renascem e renascem até ao fim. Entre os papéis, um recorte de um texto de Eduarda Dionísio sobre João Martins Pereira que de repente me acorda para aquele lugar, a Abril em Maio, que esse sim era um lugar. Um sítio. Tenho saudades de lugares assim. Imagino-os no futuro. Sítios, lugares, onde seja possível viver a nossa sede, a nossa fome de fraternidade, de empatia, de vidas abertas sobre a poesia, sobre o mistério, a alegria, o brinde. Os lugares que eu imagino são todos no futuro.

quinta-feira, março 13, 2008

Dançando

Nunca pensei que um post assim, sem uma palavra, só com uma imagem, pudesse ser tão intimo, falar tanto acerca da volúpia, do desejo, da massa, do voo rasante sobre a alquimia. Vejo o invisível. A luz da manhã. A claridade nocturna que une a carne, o músculo, a própria baba. É tão perscrutador que baixo os olhos, envergonhado, como se estivesse todo nu.

domingo, setembro 09, 2007

Uma noite em Israel

Ao percorrer o albúm de fotografias percebeu a natureza do mal que o desfazia. Há um acordo que nunca trai: a pele sobre a pele. Hábitos que nunca se perdem, pensou ele, enquanto cheirava a sua mão tresandando a sexo, lembrando. Daqui a nada começa um novo ano para a nação hebraica, pensou. Tudo começa de novo. Podemos viver nas mesmas cidades, mas os lugares são interiores.
Os lugares são como os sitíos, as nossas vidas multiformes.