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domingo, junho 06, 2010

Pastéis de Belém

Há um aspecto no argumento de Paulo Pedroso a que sou bastante sensível: nos próximos tempos vamos ter ou uma convergência política do género de Bloco Central (digo eu, para isso talvez o PS tenha de mudar de líder) ou de bloco PSD/CDS (mais natural e que ainda por cima virá reforçado pela sintonia que irão treinando em relação à candidatura de Cavaco e Silva). Essa perspectiva é um reforço político importante para a valorização da campanha de Manuel Alegre, já que Fernando Nobre surge neste campo com alguma hibridez que não cria de imediato uma imagem clarificada sobre o que irá fazer (e que está a ser bem explorada para o diminuir politicamente). Infelizmente a predominância política que o argumento não a Cavaco instala automaticamente em toda a esquerda, se bem que tenha como positivo o diminuir a mancha abstencionista, pode turvar e enquinar o debate presidencial. Leio aqui a entrevista a Fernando Nobre (que me agradou muito). Não é o meu candidato, não tenho nenhum candidato e por isso pressuponho que a cada nova investida de um dos candidatos poderei balançar na minha inclinação de voto. Nas últimas eleições votei no Manuel Alegre. Agora ainda continuo à espera de uma (nova) candidatura que liberte a candidatura presidencial deste constrangimento político de reduzirmos o papel do Presidente da República aos jogos de equilibrio parlamentar. Faltam seis meses. Os candidatos que subam ao palco e que nos mostrem as suas habilidades e faculdades, ao falarem como os homens-que sonharam-ser-presidentes-da-república-e-que-precisam-de-nos-convencer-que-são-o-nosso-Presidente-de-sonho.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Duas perguntas que em nada são iguais

Parece-me que, numa entrevista que tem a virtude de revelar uma personalidade política que a maior parte de nós lhe desconhecia, é apenas um deslize (o resto da entrevista desmente aquilo que podia ser, para um PR, uma perigosa concepção da politica partidária) a ideia peregrina de que há uma incompatibilidade entre o activismo politico-partidário de Manuel Alegre e a criação de um movimento de cidadania.
Há no entanto um aspecto curioso em algumas primeiras reacções - para além da adesão natural que a sua figura motiva - à sua candidatura: Fernando Nobre era daquelas pessoas que quando aparecia nos media, pela sua abnegação, coragem e integridade pessoal e politica, suscitava naturalmente em nós, falo por mim, a pergunta: porque é que este tipo não se candidata a Presidente da República? E agora, que ele se candidatou, e face às primeiras intervenções públicas, uma das primeiras perguntas que nos surge é, continuo a falar por mim, porque é que este tipo se candidatou?
Duas perguntas que em nada são iguais e que, muito provavelmente, revelam muito mais sobre mim do que eu poderia pensar.