Chego a Lisboa e a minha auto-estima está em alta. Trabalhei muito, entreguei-me ao grupo de trabalho e parece que deixei ficar uma semente em Teresina, que iremos continuar a tratar através do blogue da oficina. Fiz amigos, encontrei parceiros de escrita - vim com mais vontade de escrever teatro e de aceitar que terei de passar menos tempo por aqui - e comecei a pensar em voz alta. Teresina é uma terra quente, invulgarmente quente. É quente durante todo o dia. Mas é mais quente ainda no princípio em que cai a noite e o calor retido pelo chão, pelos prédios, se liberta. Não dura muito tempo, uns vinte minutos, este calor estranho, estranho porque a luz solar já desapareceu. Mas reparamos que começamos a suar inadvertidamente. Teresina é quente muito quente, mas ainda mais de calor humano. Vou tentar descrever nos próximos tempos o que por lá vi de novo nesta relação entre o público e o teatro. Era uma das coisas mais gratificantes, ver aquelas salas, principalmentre a do Teatro 4 de Setembro, cheias de avidez.
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segunda-feira, setembro 01, 2008
sábado, agosto 23, 2008
Diário de bordo
Seis da manhã hora portuguesa. Um dia de 28 horas. Com três horas de sono. Há sempre tanta coisa para fazer antes de uma viagem. E depois aquele pensamento sempre o mesmo: dormimos na viagem. Era bom. Mas dorme-se mal. Às 8h00 da manhã no Aeroporto da Portela. Até Brazília. A costa de África (orla marítima). Sobrevoar o Pantanal por volta das 16h, hora brasileira. Uma viagem santa,como diria a minha avó se ela tivesse andado de avião. Em Brasilía cinco horas à espera. Valeu-nos um amigo ali, na hora, da força aérea, comissário de bordo da comitiva do Lula, tinha ido fazer o câmbio dos doláres que ganhou com a ida a Pequim, ofereceu-se para nos levar, tinha ido a Portugal recentemente com o Lula e os portugueses foram tão simpáticos que ele quiz fazer-nos o percurso. Mostro-nos a cidade, a catedral, o lago, as embaixadas, a antena da televisão de onde se vê a cidade toda, a ponte, ele tinha tanto orgulho naquela ponte, e foi assim que se passou o tempo de espera. O último voo, uma caranguejola que nos levou por um voo nocturno sobre o pantanal e que fazia um barulho próximo daquelas aceleras a quem os putos cortavam os escapes, trouxe-nos até à pouco. Eram quatro e meia. E agora, são seis horas aí, duas aqui, vou dormir. E já não sei se volto...
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