sábado, fevereiro 10, 2007

Acabou o meu período de reflexão: SIM

Entramos agora formalmente no período de reflexão. E digo formalmente porque é bem provável que seja agora que ela tenha terminado. É um estereotipo do pensamento aquele que resulta do parar de falar, de ouvir (escutar o quê? o seu silêncio interior? será que devo calar as vozes dentro de mim sustentando que elas tiveram todo o tempo de campanha para se manifestar?) para que em fim se possa iniciar a reflexão. É uma incompreensão minha que se manifesta em cada fim de campanha. Como se o pensamento não fosse discurso, como se o pensamento não fosse acção. E não deixa de ser importante verificar que este ritual da reflexão cauciona a possibilidade do discurso da campanha poder ser, legitimamente, um tempo de verbo irreflectido. E eu, que venho aqui falar para pensar em voz alta, inicio assim o meu período de fim de reflexão. Até porque como foi notório para a generalidade dos que aqui passaram, a minha decisão está tomada.
Vou votar sim porque acredito que com o meu voto poderei ajudar a:
- reduzir o número de interrupções voluntárias da gravidez;
- diminuir a solidão e a angústia dos casais ou das mulheres que terminam com a gravidez, integrando no seu processo de decisão o acto de aconselhamento médico;
-diminuir o número de mortes das mulheres que interrompem em condições precárias e clandestinas;
- fazer com que a aventura da decisão inunde com uma clarividente luminosidade, a não menos aventurosa experiência da paternidade e da maternidade ;
- tornar esta comunidade um pouco mais solidária com os reais contextos de vida daqueles que a constituem;
Que o nosso voto tenha a força política de um tornado.

2 comentários:

M em Campanhã disse...

só me ocorre agradecer-te. à medida que esta campanha avançou fui-me sentindo como se fosse pessoalmente visada, nervosa, e como que à espera de um veredicto amanhã. obrigada, portanto.

Cristina GS disse...

Partilho dessa vontade esperançosa, mas ao mesmo tempo insinua-se o receio de que o tornado possa transformar-se numa brisa e que tudo fique na mesma.