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quarta-feira, julho 29, 2009

A educação, dizemos nós

Neste post, Sofia Loureiro dos Santos, do blogue Defender o Quadrado e participante no Simplex, escreve sobre os protestos educativos. Redigi a propósito um longo comentário. Porque atingi o limite de palavras a meio do fim do mesmo, e por ser uma oportunidade de rever a sua escrita num ambiente tecnicamente mais amigável, reponho-o aqui, com a sua revisão:
Gostaria que assim fosse, Sofia, até porque também tenho uma paixão pela educação, pela aprendizagem, seja formal ou não formal. Mas não é. Contacto com muitos professores do ensino básico e secundário e falo com eles fora do contexto da retórica sindicalista. Confronto-os muitas vezes com alguma verborreia intransigente da FENPROF. E fico estarrecido pelo grau de desespero de profissionais e agentes educativos que até há uns anos faziam parte de um sistema que tinha lacunas muito grandes mas que mais ou menos ainda os estimava. E falemos a sério: quando um sindicalista como Mário Nogueira fala, a maior parte das pessoas de bom senso só pensa que quanto pior estiverem os professores melhor ele sente que estará enquanto lider sindical, mas quando a conversa é interpessoal e é entre ti e outra pessoa, um amigo, um conhecido, ele está a falar-te da sua vida, dos seus dramas. Ora quando ele te diz que a tragédia em que se tornou a educação o faz querer deixar de ser professor, então estamos a falar de algo muito grave. Foi a forma de fazer politica deste governo que criou o maior movimento sindical que há memória numa classe profissional que sempre esteve muito dividida em múltiplas frentes sindicais e isso tem de ser reconhecido sem nenhuma jactância, com o máximo de apreensão. Há muitas coisas que poderiam ser ditas sobre educação e em tempos tentei falar disso aqui. Mas a fundamental é que o Estado não pode concretizar a tarefa educativa sem os professores e que qualquer esforço para os demonizar, como foi assumidamente o jogo da ministra, é um jogo falhado. Porque até pode vencer no plano laboral, fazendo das escolas, como diz uma amiga minha que é professora, fábricas de parafusos. Mas perde no plano pedagógico, e isso é o que a escola deve fazer.
Bastava um argumento para desmontar toda a evidência deste post: um governo que, porque a sua proposta de avaliação dos professores parece incoerente ( feita em peças separadas para montar, com aplicações que qualquer pessoa se apercebe que são reduções tão grandes do conteúdo avaliativo que fazem com que a avaliação de desempenho fique coxa, sem pernas para avaliar) consegue fazer com que a maioria dos professores não se aperceba que o que a Fenprof não quer é a avaliação de desempenho é um governo que traiu as expectativas de, dotado de uma autoridade advinda de uma maioria absoluta, cumprir a sua missão de conseguir os compromissos necessários para a viabilização da tarefa educativa. Nem me atenho a alguns aspectos que como referiu Stran, se passam exactamente ao contrário, ou seja, permitiu que professores menos experientes avaliassem outros mais experientes porque não creio que isso, a experiência, deva ser um valor em si mesma. Há experiências que o são, outras que não o são. Um professor menos experiente pode, em teoria, ter mais capacidades de avaliar um colega mais experiente. Não por ser menos ou mais experiente, mas por lhe terem sido fornecidos conhecimentos e instrumentos de avaliação que o outro não tem.
São questões mais complexas sobre as quais não tenho nenhuma competência para além da exposição do meu rol de lugares comuns.
Há uma coisa que é central e que o governo tem de saber encontrar forma de o assumir: ele realizou tarefas que mudaram o panorama educativo de uma forma radical mas falhou de forma reiterada e para mim incompreensível na dignificação da docência, actividade basilar para o desenvolvimento de um bom projecto educativo. Estabeleceu metas para a avaliação que contradizem as intenções da avaliação de desempenho em que fez centrar o essencial da sua intervenção . Para quê melhores professores se o que produzem é menos eficazmente avaliado?
Por outro lado há bandeiras programáticas que me enchem de orgulho. Enche-me de orgulho saber que as crianças no básico começam a ter inglês e enche-me de orgulho a rapidez com que essa medida começou a ser implementada. Aplaudo, com reservas, a extensão dos tempos educativos, que sendo uma medida boa em si mesma, foi também ela geradora de uma incompreensão pela forma como inicialmente foi implementada. O maior investimento no ensino profissional também me parece uma mais valia deste governo, e uma mais valia muito importante. Também as medidas integradas no plano tecnológico, em muitos casos um verdadeiro choque. O aplauso perante o ímpeto reformista deste governo na educação fica em muito condicionado à sua capacidade de assumir os erros cometidos.

terça-feira, julho 28, 2009

Se as eleições autárquicas se ganhassem na blogosfera, Pedro Santana Lopes, estaria hoje mais bem posicionado para ser o vencedor. O seu Lisboa com Sentido é, enquanto meio de comunicação política, em quase tudo o que se refere à comunicação audiovisual, no grafismo, no dinamismo e interactividade, melhor que o blogue de cidadãos que apoiam António Costa. Sem dúvida que Lisboa Com Sentido é um blogue oficial de campanha e que o CLAC, é um blogue de cidadãos sendo nesse aspecto muito mais rico de conteúdo do que Lisboa com Sentido. Sem dúvida. No entanto, depois do primeiro-ministro ter colocado a blogosfera no centro da comunicação política, António Costa não se pode permitir à veleidade de não ter um blogue oficial da sua campanha. O esforço que a cidade e os seus cidadãos fazem é uma coisa. A forma como os candidatos assumem a sua presença em todas as plataformas de comunicação política é outra. A cidade, o governo da cidade é demasiado importante para a deixar à mercê de um politico que, como Santana Lopes, protagonizou uma gestão tão incapaz para a cidade de Lisboa.

O PS e Joana: post assumidamente marialva

Eu nunca dormi com a Sharon Stone. Nunca calhou. Aliás, foi por nunca ter calhado que eu percebi muitas vezes a diferença entre sonho e realidade. Não me peçam para me explicar mais que é assunto que me envergonha. São as tentações da carne, diria o bom do padre Adelino que, nos seus abençoados conselhos, há muito deixei de ouvir. Mas se a minha mulher viesse à praça pública acusar-me de ter dormido com Sharon Stone eu ía ao baú buscar a faixa do João Mata Sete de uma récita do teatrinho escolar onde comecei a querer ser actor, e, rescrevendo-a com o novo dito, assumia o facto. Eu dormi com a Sharon Stone, seria assim a nova faixa no teatrinho de brincar em que se constituiu a minha vida. Nem que isso me custasse o casamento. Na minha rua iriam mais facilmente perdoar-me a descoberta da mentira do que a veemência da recusa.
Em pose mais séria subscreveria Luis Novaes Tito no Simplex.

domingo, julho 26, 2009

Mais feliz da fé

A bancada parlamentar do PS abre-se a um independente a sério, lembre-se a sua saída do Bloco de Esquerda. Como já o disse em comentário, mesmo sendo um bico de obra tanto para o PS como para MVA, cria expectativas em alta para os trabalhos do grupo parlamentar socialista que se vier a formar a partir das próximas eleições. Mesmo tendo já na minha intenção de voto o PS, vou votar mais contente. Mais feliz da (minha) fé.

terça-feira, julho 21, 2009

Há mais vida nos partidos, há mais vida para além dos partidos

Congratulo-me com a criação do Simplex, por introduzir na contenda política que se avizinha o aproveitamento do aprofundamento crítico que a blogosfera também sabe ser. A pugna eleitoral, com a sua espectacularização, é muitas vezes, por excesso de propaganda, de exarcerbar do pensamento dialético - como se fosse por tu estares enganado que eu, por ser teu opositor político, estou certo! - um tempo de grande redução da actividade reflexiva e só por isso já daria os meus parabéns a estes homens e mulheres que pegam na pena digital para defenderem uma ideia de futuro que será melhor assim, com eles.
Eu creio que eles merecem ser também reconhecidos porque - como escreveu o Bruno, para cujo post aconselho uma leitura atenta - a opinião assim perfilhada recusa o taticismo de uma critica que muitas vezes só aparentemente se situa fora do jogo retórico partidário. No entanto, porque me revejo mais facilmente neste dinamismo, hoje o meu aplauso vai em primeiro lugar para aqueles que criaram um movimento de cidadãos que debatem a política.
Eu creio que o que por lá li pode vir a ser apreciado por diferentes partidos políticos e procura uma legitimidade que ultrapasse a do envolvimento dos cidadãos na vida pública através dos partidos. Eu creio que ambos os movimentos mostram uma certa maturação democrática. E se eu quero inequivocamente que haja um reforço de políticas activas que considero de esquerda, na cultura, na educação, na cultura, na economia, na sociedade, também quero, sem igual espaço para dúvidas, que haja uma maior vivacidade política na nossa comunidade.