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segunda-feira, fevereiro 22, 2010

O gesto nobre e alegre

As eleições presidenciais prevêm-se aguerridas. Fernando Nobre e Manuel Alegre já estão na pré-corrida e pelo que provocaram, já merecem o nosso aplauso e agradecimento. A Presidência da República detem na nossa comunidade uma importante função de representação política e social e qualquer um deles tem um perfil humano, cultural e cívico que os coloca, indiscutivelmente, num plano de destaque da vida política e social portuguesa. Que vive momentos de grande perturbação e bem precisa deste tipo de iniciativas de cidadania que a prestigiem. Não deixa no entanto de ser interessante, e engraçada, uma circunstância política, que surge com estes pré-anúncios: ambos os candidatos que têm uma forte capacidade de implantação na esquerda, possuem também capacidade de entrar em campos do centro e da própria direita e, ao fazê-lo, desvalorizam a importância da questão do enquadramento político, permitindo que surjam outros aspectos de valorização política das candidaturas (e até criando problemas a uma eventual candidatura de Cavaco Silva, que iria claramente dirigir-se às tribos de direita).
[Às tribos de esquerda recomendo este texto, de Porfirio Silva.]

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Lutar para quê?

«Um trabalhador que esteja cansado física ou psicologicamente – porque está mais velho, porque tem problemas familiares, porque trabalhar naquela empresa não era exactamente o que pretendia ou porque se desinteressou do trabalho – deve poder ser despedido por justa causa.»
A citação é do Director da CIP, reproduzida pelo André Bonirre, no Mal. Não me ocorre nada. Estou cada vez mais empanturrado de um tédio por este capitalismo façanhudo, selvagem. Amanhã se me vierem dizer que uma revolta, uma explosão social rebentou, bocejarei também. É uma coisa de morto-vivo para mortos-vivos, o tédio. Na esperança que consigam a luz que eu não tenho, deixo-vos a sós com os meus personagens. Ontem o motorista de taxi, no final de uma conversa que acabara de fazer uma razante pelos perdões e reformas milionárias do BCP, concluira, em cima dos seus quinhentos e setenta euros de motorista com dezassete anos de serviço na administração pública, dizendo:
- Eu às vezes penso que estes tipos não acham que um tipo que ganha aquilo que eu ganho seja um ser humano.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Embargo de alma

O meu amigo Carlos Fragateiro despediu-se da ministra com palavras estranhas que provêm provavelmente de um certo embargo de alma. Disse que sentia por ela amizade e solidariedade. E em relação ao novo ministro disse que também tinha de lhe dedicar solidariedade. Eu parece-me que a emoção lhe toldou momentaneamente o entendimento. O que ele lhe deve é obediência. A solidariedade, a existir, será mais do novo ministro para com ele.