Anda meio mundo a perguntar porque é que Sócrates demorou tanto tempo a apoiar Manuel Alegre - quando se calhar é a coisa mais transparente que ele fez - e ninguém se pergunta outra coisa que é politicamente mais relevante: porque é que ele, não vislumbrando no vate de Coimbra o perfil de Presidente que queria, não tentou criar um perfil presidenciável que tivesse capacidade de corporizar a sua ideia do que deve ser um Presidente? Ou seja, porque é que o seu PS desistiu agora das Presidenciáveis (da mesma forma que se pode dizer que tinha desistido com Mário Soares)? Num contexto de crise financeira internacional Manuel Alegre é cada vez menos confiável até para aquela pequena minoria que revê nele um paradigma cultural que, numa outra situação, gostaría de ver em Belém. E não só para esses. Hoje alguns amigos bloquistas supondo que eu teria finalmente um candidato, telefonaram-me a gozar comigo a perguntar onde é que esteve Alegre no dia 29 de Maio. Não sei se é uma coisa boa ou uma coisa má, os partidos não terem de ter um candidato presidencial em torno do qual se possam galvanizar. Sei é que este entendimento socrático da vida política não está em linha com aquilo que tem sido a prática política do Partido Socialista e está a provocar já alguma discussão. Enquanto isso há também quem, como eu, espere uma (nova) candidatura que possa libertar-nos deste fraco entendimento que os partidos têm do perfil de um Presidente da República.
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segunda-feira, maio 31, 2010
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
O gesto nobre e alegre
As eleições presidenciais prevêm-se aguerridas. Fernando Nobre e Manuel Alegre já estão na pré-corrida e pelo que provocaram, já merecem o nosso aplauso e agradecimento. A Presidência da República detem na nossa comunidade uma importante função de representação política e social e qualquer um deles tem um perfil humano, cultural e cívico que os coloca, indiscutivelmente, num plano de destaque da vida política e social portuguesa. Que vive momentos de grande perturbação e bem precisa deste tipo de iniciativas de cidadania que a prestigiem. Não deixa no entanto de ser interessante, e engraçada, uma circunstância política, que surge com estes pré-anúncios: ambos os candidatos que têm uma forte capacidade de implantação na esquerda, possuem também capacidade de entrar em campos do centro e da própria direita e, ao fazê-lo, desvalorizam a importância da questão do enquadramento político, permitindo que surjam outros aspectos de valorização política das candidaturas (e até criando problemas a uma eventual candidatura de Cavaco Silva, que iria claramente dirigir-se às tribos de direita).
[Às tribos de esquerda recomendo este texto, de Porfirio Silva.]
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