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terça-feira, março 09, 2010

Queixume

Ela, ontem, ajustava o penúltimo post, veio por cima do ombro, olha lá, tu estás a virar comunista é? Não me bastava que apoiasses o Sócrates, agora também vens com estas conversas contra o capital? Trabalha, traz mais dinheirinho para casa, junta-te aos ricos e vais ver, ficas logo bom, isso não passam de dores de crescimento.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Ex-namorad@s

O mundo seria muito mais amável se não houvessem ex-namorad@s. Eu já tive aquela ambição tão bem intencionada quanto pateta de fazer de cada ex-namorada um@ amig@. Há alguns anos atrás eu pensava que era uma prova de maturidade ser amigo de todas as minhas exs. Maturidade, civilidade, sociabilidade. É um disparate. Só o tempo, e o que as pessoas fazem nesse tempo, é que vai dizer se isso é possível ou não. É claro que é do mais refinado bom senso não se fazer uma cena, não se atirar um copo ao ar, não se insultar um@ ex sempre que nos cruzamos com el@. Há um código de boas maneiras que nos pode até elucidar sobre as frases que se devem dizer. Aprendi por exemplo que dizer a uma ex que ela está mais bonita, mais elegante, é uma atitude que nos devolve aos dois uma incrível bonomia e crença na humanidade. Falar dos filhos é outra saída igualmente bem aventurada. A polidez é uma forma agradável de estarmos uns com os outros. É um disparate acordar aquele azedume, que como nata, reveste muito do nosso pretérito que não vingou. Olhar por exemplo um@ ex com uma sensação de alívio, e de incredulidade por termos um dia estado apaixonados por el@, é uma daquelas coisas que, por mais vontade que tenhamos, só revelam insanidade mental. Não devemos acordar o ódio, o rancor, o ressentimento. Tudo isto é verdade mas também nada disto faz uma amizade. A única coisa que faz uma amizade é a vontade verdadeira, autêntica, de partilharmos incondicionalmente as nossas vidas. Onde o amor tem condicionais, a amizade nua, despojada, tem tudo. No outro dia, tive saudades de conversar, de falar, de estar com uma pessoa com quem há uns anos tinha estado envolvido emocionalmente. Mandei-lhe uma mensagem a dizer, espero que possamos ser amigos. Ela respondeu-me o que teria respondido qualquer pessoa com aquele mínimo de sensatez de que eu parecia estar desprovido quando lhe mandei a mensagem: eventualmente. Pode ser que sim, pode ser que não, @s ex-namorad@s são pessoas enfiadas em cabides num não-lugar. É que existem ex-namorad@s, mas não existe ex-namoro. É que como não existe ex-namoro, @s ex-namorad@s são pessoas à espera de vez. Só existem para nos incomodar. Ou porque querem as coisas que deixaram lá em casa, ou porque já não as querem, ou porque se aborrecem por termos arranjado namorad@s, ou porque nos aborrecem porque arranjaram namorad@s, ou porque nos telefonam a pedirem-nos coisas disparatadas como se nos quisessem dizer que somos um mero utilitário, ou porque entretanto deixam de nos telefonar ou de nos responder, ou porque já não mexem com os nossos dias mas logo que fechamos os olhos nos sacodem com histórias do arco-da-velha, @s ex-namorad@s são verdadeiramente um martírio para o espírito e o mundo seria bem mais amável se não existisse este purgatório dos aflitos, em que um conjunto de pessoas que já não são o que eram, ainda não são aquilo que, eventualmente, poderão vir a ser.

sexta-feira, abril 06, 2007

E a Boytchévia aqui tão perto

A ideia é exactamente esta: o humor é uma arma. É claro que, como canta o Palma, não há nenhuma arma que não dê ricochete. Diz-se também que isto é uma espécie de repetição da fórmula que tanto sucesso deu no caso da crítica às posições de Marcelo Rebelo de Sousa no referendo sobre a IVG*. Eu gostaria de não dizer o que estou a dizer, até porque este cartaz do PNR deixou-me sem saber o que havia de fazer e pelo menos alguma coisa os Gatos fizeram. Mas o que me parece que foi brilhante, genial no caso do Marcelo, e até autêntico serviço público, porque parecia que não havia a possibilidade de em tempo real se contrapôr com eficácia o desmesurado poder mediático das posições de Marcelo, neste caso pode ter sido uma grande precipitação, podendo vir a acabar de forma inglória através do pagamento de uma determinada coima relativa à remoção do cartaz. Para além disso há todas as razões que nos saltam à evidência: enquanto no caso do Marcelo se neutralizou uma campanha de alguém ( e não de uma partido) que detinha um incompreensível ascendente mediático sobre a televisão pública, e esta neutralização apareceu primeiro conotada a um dos elementos dos Gatos que também era activista na campanha, no caso deste pequeno partido o efeito talvez seja o contrário. Por outro lado, o cartaz do PNR na sua violência verbal, se alguma coisa nos deveria provocar, deveria ser uma resposta política. Nos seus diversos domínios. Política partidária, participação na vida cívica e social. Poderemos todos nesse campo fazer muito por pouco que isso pareça quando um homem sem relevância política se coloca aos saltos e gritos no Marquês de Pombal. Mas uma coisa será cada um dos cómicos dos Gatos, por si ou em conjunto (e não se sabe bem como porque ideológicamente eles são bem um saco de gatos), tomarem uma determindada posição política. Devemos saudá-los por isso e nesse aspecto tenho pelo Ricardo Araújo Pereira, e pela sua coragem e oportunidade, uma admiração que nunca consegui ter por ele enquanto cómico. Outra coisa é a marca comercial de produção humorística, Gatos Fedorentos, e a sua última linha de produtos, a caricaturização das figuras públicas e políticas, adquirir peso político e neste caso, político partidário. Por muito voluntarismo que isso possa albergar, os Gatos não são uma espécie de corpo especial de bombeiros da politica portuguesa. São uma empresa, têm uma marca, têm linhas de produtos humorísticos e é assim que devem ser encarados. E também, por muito cruel que isto possa parecer, os Gatos não mimetizaram, invertendo-o, apenas o discurso político do irrelevante dirigente do PNR. Imitaram também esse enorme pôr-se em bicos de pés que o referido político tinha feito. E, independentemente do sucesso ou insucesso político, há também uma indiscutível tentativa afirmação de uma marca comercial que significa aumento de rendimentos para os seus patrocinadores e que parece fazer com que estejamos a aproximarmo-nos velozmente do delírio boytcheviano. Fica de tudo isto uma boa ideia para rirmos enquanto desejamos que cada vez mais o nacionalismo seja ideia em dissolução: a de que isto só com portugueses é uma seca . É por isso também que mesmo que a CML o remova, daqui já ninguém o tira.
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Nota: Depois de ter escrito o post li o Público de ontem e o de hoje e fiquei a saber que, para os próprios, o outdoor do Marquês é apenas uma piada. É verdade que vender piadas é apenas o trabalho deles, ou por outras palavras, vender apenas piadas é apenas o que eles fazem. Tudo isto talvez não tenha assim passado de um negócio. Ou não. Porque desta vez, quem sabe cansados do comércio, resolveram oferecer uma piada à cidade. E ainda pagaram isso do bolso deles, como enfaticamente fizeram transmitir. Ou seja, é um humor grátis. Grátis, grátis. À borlix! E nem se paga!
*E que andam a repetir até à exaustão, através da caricatura que Ricardo Araújo Pereira tem feito de quase todos os políticos. RAP quase parece um boneco do Contra. Inventa-se sempre mais um, consoante o caso do dia. Às vezes com sucesso, nota-se o esforço de actor, descolando assim da performance geral dos seus colegas. Só que em muitas das situações ser melhor que os seus colegas ainda não será medida bastante.

domingo, fevereiro 18, 2007

Geniais! Mesmo, mesmo, mesmo, mesmo engraçadinhos!

Depois do serviço público prestado pelo Ricardo Araújo Pereira no último referendo, dispus-me a encarar o fenómeno com bonomia e até mesmo, simpatia. E como estava frio, fiz-me à aventura, sintonizo a 1. O primeiro momento que apanho é com Artur Albarran. Não me entusiasma nada mas sigo. Apanho com aqueles quatro gatos enfarpelados, num formato que pretende ser uma crítica mas que - porque não critica quem quer - fica como uma limitação da abordagem. Um deles deixa cair os papéis. Podia parecer que os deixa cair. Que seria uma crítica. Talvez no café encontre alguém a defender isso mesmo. Mas não, é ele que é mesmo desajeitado, que anda ali aos papéis. O momentozinho da noite são os Tesourinhos deprimentes. Apanharam um cromo, Luis Arriaga, e desancam nele a torto e a direito. O cromo é mesmo um cromo. Não tem repetidos. Faz reportagens dentro de uma arca frigorífica e lá fala, e desfala, de Picasso. Na Passerele vai tentar perceber se o cozinheiro consegue manter a ementa em ordem quando tem de se confrontar visualmente com todo aquele estardalhaço de corpos desnudos. Ou então, telefona para um número de acompanhantes, que é da Amadora e daí tira uma lei geral de que a maioria dos telefones de massagistas, acompanhantes e prostitutas remetem para esconsos lugares da Amadora ou da Reboleira. Só que há duas coisinhas muito importantes que passam despercebidas a tanto miado: primeiro, a forma como abordam o problema da prostituição cola-se com o tipo de comentários pretensamente marialvas que por ali abundam. Para eles a prostituição não é um dos problemas sérios destes aglomerados urbanos. Depois é unicamente um ataque a um homem. Não me parece que haja ali algo mais. Ora se isso é humor eu vou ali e já rio. Faz-me lembrar os cómicos da rua da minha adolescência que viviam de fazerem piadas rindo-se do coxo, do maluquinho, dos velhos ou de alguém que elegiam como o bombo da festa. Enquanto estava a escrever li alto o post a uma cinco pessoas que estavam aqui comigo. Começo a sentir o olhares frios e gélidos. Eu estou a meter-me com quatro grandes portugueses da actualidade. Resolvo então modificar a estratégia. Vou fazer como fazem todos. Rio. Repito vinte vezes pinhal e desato-me a rir. Tenho um best of dos gatos na minha cabeça e consigo por exemplo dizer, uma gaja boa tás a ver, mas boa, boa mesmo boa, não é boa como a boa da tua mãe, é uma gaja boa, de Ermesinde e abanar a cabeça enquanto digo, geniais! estes gatos são mesmo, mesmo, mas mesmo muito engraçadinhos.