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sábado, julho 11, 2009
manhã fresca
Levantei-me o mais cuidadosamente que pude na escuridão do quarto. Velo o seu sono matinal como me predisponho a velar a sua vida. Como se fosse minha. Há vezes em que me revejo assim: na exaltação dos sentimentos-carne. A minha pele está macia. Ainda respira nela a bem-aventurança dos óleos da massagem de ontem. Exaltação dos spas também. Saímos os dois com a pele macia, fresca, em festa, ela ainda ouviu um piropo da massagista, a sua pele parece a de uma menina. A minha menina. Sento-me aqui no pátio à sua espera, velando-a. Vai ser sempre assim.
sexta-feira, julho 10, 2009
Fim de tarde em Cacela Velha
Os sonhos são assim: esfumam-se quando arregalamos os olhos. Uma vida a preencher-se de um amor tão verde, tão dificilmente verde, é isto: um fazer de arregalar os olhos, de os esbugalhar, de os engrandecer com aquilo que reverdece. E a possibilidade de há bocado não estarmos aqui onde agora estamos: na casa do poeta. Já andei a ver as framboesas. E as amoras. Agora fechei os olhos, a sonhar com o meu fim de tarde. Gosto de fazer esta pequena brincadeira quando me sinto pássaro: abro e fecho os olhos a espaços e a espaços pergunto-me onde é que sou mais ar, mais pedaço de vento. Se quando cerro os olhos, se quando os arregalo.
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