A ideia de que com o fim do regime salazarista-marcelista os grandes capitalistas, os grandes latifúndios e o poder oligárquico, perderam o seu domínio social e político é uma falácia que nos habituámos a propagar . A reportagem que o Público traz hoje, sobre o poder económico da família Espírito Santo (e não é de admirar que o mesmo se tenha passado com Champalimaud) é um rude golpe nessa teoria: há muitos governantes eleitos democraticamente que ombreiam com o regime fascista nesse proteccionismo reverencial.
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segunda-feira, março 08, 2010
quinta-feira, junho 11, 2009
O veto à lei do financiamento aos partidos
Da lei sobre o financiamento aos partidos sei muito pouca coisa. Mas houve uma coisa que me disseram que para mim funcionou como uma imagem decisiva para estar contente com o veto de Cavaco: disseram-me que por exemplo, à luz da nova lei, os casos do advogado que foi apanhado com uma mala cheia de dinheiro, ou o dos dinheiros da campanha que Isaltino terá recebido - e isto para não falar dos donativos do sugestivo jacinto capelo rego - não seriam mais casos. Não preciso de mais nada. Quanto à questão de poder resolver o problema criado com o dinheiro apurado pelas festas do Avante, não façam de nós tolos. Os comunistas que criem uma empresa, uma associação ou uma fundação para gerir o evento e passar o cheque final ao departamento financeiro da Soeiro Pereira Gomes. Se os partidos não tiverem capacidade nem imaginação para resolverem legalmente os problemas que se colocam à sua actividade natural, como esperar deles outros cometimentos favoráveis à Pátria?
segunda-feira, agosto 04, 2008
Responsabilidade individual
Não é que eu não concorde com o Luís. Concordo, e como diz a Mónica, concordo do avesso, do direito, de todas as formas. Não é que não concorde com ele. É que não pratico. Sou, recorrentemente, um cobarde. Aos meus personagens concedo, por vezes, repentes de heroicidade e reparem, eu cheguei ao ponto de uma tal nulidade intelectual e a um grau zero de cidadania em que é tido como acto heróico um tipo, por exemplo um funcionário público, do Estado, da coisa pública, que, face a um chefe hierárquico que não respeita ou por alguma forma corrompe a missão de um determinado organismo, lhe diz claramente que o vai pôr em causa, e que o faz sem medo porque está muito claro para ele, e para os que o rodeiam, que a quem ele deve obediência é à coisa pública. Chegámos a este ponto portanto: o heroísmo tornado acto mais rudimentar de uma cidadania. Já pensei de maneira diferente. Já pensei como escrevia e quando escrevia a tons fortes de um jovem republicano convicto da força das instituições democráticas. Agora penso e começo a fazer as contas ao fim do mês, ao facto deste mundo não estar para os revoltosos e calo-me. Ou então, eu que já não me revejo em nenhum sonho de poder que não seja um fim de tarde a brincar com aqueles que amo, sou toldado pelos projectos de poder dos meus amigos. E calo-me mais outra vez. O único trunfo que encontro nesta mudança face à minha revolta de juventude e de primeiro estado adulto é, o que já nao é pouco, a perda de arrogância. Deixei de falar do que os outros devem fazer. Sofro com o que não faço. É claro que tenho, enquanto dramaturgo, um pequeno privilégio: posso (entreter-me a) criar pequenos seres que lutam por mim. Que se revoltam por mim. Que me ajudam a não me sentir tão limitado na minha responsabilidade individual. Mas que não me fazem (nunca) esquecer a minha cobardia.
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