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terça-feira, novembro 15, 2011

Greve Geral dia 24

Hoje dei por mim a pensar que a diferença entre um capitalista e um sindicalista é que este é o único que ainda acredita no capitalismo.
Enquanto que o primeiro já percebeu que o sistema deu de si e,  extremando a molécula de rapinagem que sempre perturbou o seu ADN,  quer sacar tudo o que pode já nem se preocupando em salvar a aparência democrática com que a sociedade de mercado sempre tratou dos seus negócios, o sindicalista continua a acreditar que com um pouco mais de solidariedade e respeito pelos mais desprotegidos o capitalismo ainda pode sentar-se à mesa de uma qualquer negociação destinada a melhorar a vida da humanidade.
          O sindicalista irá ao enterro do capitalista como que velando a sua própria morte.

terça-feira, março 09, 2010

Não terão sido os ricos que andaram a enriquecer mais do que deviam?

Não vi muito do Prós e Contras. Um breve instante antes de adormecer a olhar a televisão. Devo-me ter embalado com o vaivém de Fátima Campos Ferreira a dançar no banco - ou estaria a tentar sentar-se? - entre José Manuel Pureza e Jorge Lacão. Fiquei com uma frase do chefe de bancada parlamentar do Bloco: "- Dizer-se que os portugueses tem vindo a viver acima das suas possibilidades é um insulto para com a pobreza instalada neste país." Registei e aplaudi. E não é só isso. É um não saber explicar as coisas que dá a ideia de que as coisas não são vistas como elas são. Ora se nós não vemos as coisas como elas são como poderemos ambicionar resolver os problemas? É um facto que andamos todos a viver acima das nossas posses. Eu vivo com o que não tenho. Basta olhar o meu extracto bancário mensal para o perceber. A maior parte de nós vive com o que (ainda) não tem. E somos nós, os pobres, os indigentes, os remediados, que vivemos com o que não temos. E como é que alguém pode viver com o que (ainda) não tem? Porque se a sociedade da poupança nos ensinou que podíamos enriquecer com o que ganhámos, a sociedade do consumo deu como adquirido que poderíamos viver com aquilo que tínhamos expectativa de vir a ganhar. E assim, mediante seguros de protecção de empréstimos, de adiantamento do ordenado, cartões de crédito, créditos de lojas, transmitiram-nos a ideia de que podíamos ter hoje o que iríamos ganhar amanhã. E se isto começou por ser verdade com os que têm rendimentos renováveis com alguma garantia e estabilidade, também o passou a ser para quem não o tinha. Todos nós sabemos isso. O capitalismo financeiro ajudou a vender a ideia - que a indústria e o comércio necessitavam para fazerem progredir exponencialmente os seus negócios - de que o consumo era o novo dispositivo criador da igualdade entre os homens e as mulheres de boa vontade. E fizeram-no não por algum instinto filantrópico. Fizeram-no porque quiseram vender hoje aquilo que nós só podiamos comprar amanhã. E assim, para poderem ganhar mais do que podiam (e deviam) proporcionaram a possibilidade das pessoas poderem viver com o que (ainda) não tinham. E tudo isto acontece porque os Estados não se interessaram nunca por regular, pelo lado da oferta, esse fenómeno. É por isso que dizer-se que andámos a viver acima das nossas possibilidades é uma mentira. Nós podíamos e pudémos. Talvez não devêssemos ter podido. É certo, diz-nos hoje o revés deste sonho dourado. O que aconteceu é que, entretanto, houve agentes económicos que andaram a ganhar mais do que deviam e acumularam fortunas colossais.

segunda-feira, março 08, 2010

Parlamento, Governo e...Espírito Santo

A ideia de que com o fim do regime salazarista-marcelista os grandes capitalistas, os grandes latifúndios e o poder oligárquico, perderam o seu domínio social e político é uma falácia que nos habituámos a propagar . A reportagem que o Público traz hoje, sobre o poder económico da família Espírito Santo (e não é de admirar que o mesmo se tenha passado com Champalimaud) é um rude golpe nessa teoria: há muitos governantes eleitos democraticamente que ombreiam com o regime fascista nesse proteccionismo reverencial.

domingo, março 07, 2010

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"Além disso, se o BCE apoiou os bancos de forma tão activa e empenhada, não se compreende que se mostre agora tão relutante em apoiar os Estados que salvaram os bancos da crise que estes geraram. Porquê esta diferença? "
João Rodrigues, Ladrão de Bicicletas e Arrastão