quarta-feira, abril 25, 2007

A Indomável Arlete

Telefonou-me o Pedro Queiróz, a dizer-me que a mãe tinha falecido hoje. Há muitas maneiras de recordar a Arlete*. Ela foi a mãe do Pedro mas também de todos nós, os que fazíamos o nosso porto de abrigo na sua casa, em cujas paredes nós podíamos escrever poemas, desenhos. Recordo-a, por agora, numa homenagem breve, com as palavras que o António, seu marido, escreveu por cima da porta da sala que dava para o corredor: "-A indomável Arlete!". E com as que ela própria escreveu, em letras garrafais, na parede do fundo da sala: "Saúde é a alegria de viver e de criar".
E será em Abril, naquele dia 25 que, desde há trinta e três anos, sempre lhe trouxe um cravo vermelho, que se tornará partícula, cinza, poeira, naturalmente cósmica.
[Acabo de passar na homenagem que o João Monsanto lhe fez aqui e percebo a razão de ser da minha alegria, discreta, recolhida é certo - e que de tão reservada quase se diria apática - mas alegre. É que as pessoas como a Arlete não desaparecem assim, à primeira morte que lhes aparece pela frente. ] lk ç l................
lk ç l................ ...............................
*Arlete Canhoto Abreu foi durante muitos anos professora da Escola de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Lisboa tendo aberto, de forma absolutamente pioneira no contexto do ensino da Enfermagem em Portugal, os Cursos de Enfermagem a experiências que valorizavam a animação sócio-cultural, as terapias expressivas, a expressão artistica e a criatividade, tendo marcado gerações sucessivas de alunos. A minha ligação a esta Escola, desde 1992, surgiu a seu convite e foi com ela que trabalhei durante quase oito anos. Referências no Respirar: Vinte anos abertos ;Testemunho de João Monsanto, seu amigo, com quem Arlete Abreu trabalhou de uma forma continuada durante mais de vinte anos, encontrado no seu site.
Informação: O corpo estará amanhã de manhã na Capela Mortuária do Centro Paroquial de Santa Maria dos Olivais nos Olivais Velhos (acesso pela Av. que, na continuação da Avenida de Berlim, segue para a Gare do Oriente) , onde, pelas 12h, haverá uma cerimónia litúrgica. Será cremado pelas 13h30, no Cemitério dos Olivais.

9 comentários:

sete e picos disse...

que má noticia quim, a indomável arlete morreu. Dificil e generosa, controladora e criativa, uma alma bela e não sossegada, a indomável arlete vai deixar saudades. Em mim já deixou.

Anónimo disse...

quando penso na professora arlete, sinto-me uma privilígiada por a ter conhecido e por ela ter influênciado de forma tão positiva o meu curso, a forma como vejo a minha profissão, o estabelecimento de amizades para toda a vida...enfim, a minha pessoa...já tenho saudades de lhe dar mais uma vez um abraço sentido como ela nos dava sempre...

Bela Isa disse...

Ela estará sempre connosco. Em todos deixou um pouco de si. Vive o aqui e o agora. Aprendi com ela, assim, de forma tão simples, que a vida é grande demais... e que temos de senti-la, entre arrepios, sorrisos e lágrimas, todos os dias, de forma intensa.

www.apenasporquesim.blogspot.com

Anónimo disse...

Há pessoas... diferentes... comuns... não é o caso. Há PESSOAS, e mais nada. Arlete é desde o primeiro dia, uma PESSOA, que marca. Arlete marca gerações de pessoas... marca porque nos ensina a chorar... a rir... a partilhar... a amar... a viver.
É verdade sim, não partes, Arlete, na primeira morte, muitas terão que vir, para que nos esqueçamos daquilo que nos deste e daquilo que nos deixaste dar-te. Agora todos os dias penso e todos os dias agradeço. Obrigado querida Arlete pelo pedaço de ti que deixaste ficar em mim. Beijos e até breve. Pedro Daniel (um entre tantos alunos).

Anónimo disse...

GRANDE...ENORME ARLETE...SOFREU ....LUTOU....VENCEU ALGUMAS VICISSITUDES, OUTRAS NÃO...
MAS...FICARÁ ETERNAMENTE NAS NOSSAS LEMBRANÇAS...DE TODOS AQUELES QUE TIVERAM O PRIVILÉGO DE A TER COMO PROFESSORA E COMO AMIGA...
PAZ À SUA ALMA!!!!!

Maria disse...

Hoje olhei do alto para a planície e vi-te, solta, no ar, na água, no verde. Lá estás tu, querida amiga, enquanto eu sentir, tu estás para sempre, mãe das minhas emoções. maria joão

Mary disse...

Foi há 5 anos, talvez mais, que conheci a Enfª Arlete, é passado mais de um ano que sei da sua morte...conhecia ainda aluna, numa ilha rodeada de mar, hoje sei da sua morte, trabalhando em psiquiatria e em Lisboa, tentando seguir as tuas pegadas...obrigada Arlete, foi também pelos teus ensinamentos que aqui cheguei.Hoje chorei, porque vim dar a este blog e vi esta notícia...espero estejas onde estiveres me oiças e tembém me ajudes...na minha doença e em tudo que às vezes sinto que não é alcançavel. Obrigada

Mary disse...

Foi há 5 anos, talvez mais, que conheci a Enfª Arlete, é passado mais de um ano que sei da sua morte...conhecia ainda aluna, numa ilha rodeada de mar, hoje sei da sua morte, trabalhando em psiquiatria e em Lisboa, tentando seguir as tuas pegadas...obrigada Arlete, foi também pelos teus ensinamentos que aqui cheguei.Hoje chorei, porque vim dar a este blog e vi esta notícia...espero estejas onde estiveres me oiças e tembém me ajudes...na minha doença e em tudo que às vezes sinto que não é alcançavel. Obrigada

Anónimo disse...

Que saudades tuas...deixaste-me um lugar cheio de amor.Deixaste-me amigos recentes, de sempre teus, a quem temos socorrido tantas vezes. Que forma de te revelares, de te encontrar...hoje.