Há nove anos estávamos em 2001 e, entre outras coisas, poderia ler-se isto sobre José Sócrates. Entre 2001 e 2010 ele construiu um património político importante. Foi primeiro ministro, suportado na primeira vez por uma maioria absoluta, na segunda vez por uma maioria relativa. Não deixa no entanto de ser preocupante o facto de se perceber que, nestes nove anos, a sua relação com os media - quer na perspectiva da dele com os media como na dos media com ele - é centrada na dramatização dos mesmos temas. Mesmo que para essa dramatização possamos atribuir um papel mais reactivo a José Sócrates, não deixa de ser preocupante enquanto escalada comportamental. É preciso mudar o padrão de comportamento para que as coisas se alterem.
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segunda-feira, março 01, 2010
sexta-feira, junho 06, 2008
Mais leitores, mais jornais, menos informação
não há muito trânsito e são seis horas da tarde numa grande avenida de Lisboa. o taxista sorri, gosta disto. é por causa do preço do petróleo e ele vai pagar mais caro, mas está contente, para o trabalho dele é bom. e conta: hoje deram a notícia de que houve milhares de novos cartões de passe solicitados. portanto menos trânsito e mais congestionamentos no metro e autocarros, provavelmente. mas não são esses os indicadores que me atraem para esta notícia: é o potencial aumento de leitores de jornais (os gratuitos) que se multiplicam pelas estações de metro e de autocarros. embora não saiba que influência é que isso tem até porque temo que não seja muito positiva já que por incrível que pareça a informação, em diversidade e qualidade, diminuiu muito com o aumento de publicações e com o aumento da quantidade de informação a circular.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Rodrigues dos Santos suspenso
Nunca aqui ninguém me ouviu dizer nada sobre a Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC). Ela sucede a uma Alta Autoridade para a Comunicação Social que se despenhou no vazio que a alimentava. Tenho também tomado nota de frequentes tomadas de posição da ERC sobre os mais variados assuntos, alguns dos quais até criam a sensação de que ela está proactiva em demasia. Li atentamente todos os responsos que Estrela Serrano escreveu no público sobre Eduardo Cintra Torres. Tenho ainda escutado amigos meus, que reputo como excelentes jornalistas e profundos conhecedores da sua actividade, a torcerem o nariz ao trabalho deste organismo. Há uma coisa que eu não percebo no entanto: como é que o ERC (Entidade Reguladora da Comunicação) pela voz do seu Presidente, justificando o seu não envolvimento nesta polémica, é capaz de dizer que o problema entre José Rodrigues dos Santos e a Administração da RTP - que decorre de uma denúncia pública de interferência da Administração na actividade da Direcção de Informação ao tempo em que ele era Director - é um conflito para o qual há condições de poder ser derrimido internamente e que por isso a ERC não se irá envolver para já ? Como é possível?
É verdadeiramente escandaloso se podermos tomar estas declarações como verdadeiras. Será que ele não percebe que, independentemente dos contornos internos que puder vir a ter o conflito entre a administração da RTP e Rodrigues dos Santos, ao ter como pano de fundo uma interferência da Administração na actividade da Direcção de Informação, isso já nos diz respeito a nós? E que isso obriga a Entidade Reguladora da Comunicação, a salvaguardar-nos? Quem quer afinal tramar o serviço público de televisão em Portugal?
terça-feira, setembro 11, 2007
A humildade dos jornalistas
Eu estranhei. Ela desprezou a nossa esplanada de sempre, queria ficar a ver o Prós e Contras sobre o caso Maddie. Ainda lhe perguntei, por causa da sua área, que implicações políticas é que isso tem?!. E a razão que me deu ainda me intrigou mais: " ao contrário dos disparates que tu, no teu blogue, escreves sobre os jornalistas, eu preocupo-me com o modo como o jornalismo pode ou não influenciar negativamente a vida das pessoas. E este caso é um daqueles em que tenho receio que tenhamos construído um monstro." Não lhe disse nada. Quer dizer, solidarizei-me com ela, deixei o café na esplanada e fui sentar-me na sua rede, partilhando o seu estupor diante da reportagem da Sandra Felgueiras, ainda bem que o Henrique Monteiro teve o discernimento para logo ali contraditar a jornalista, a sua participação numa visão muito orientada, especialmente quando a Fátima Campos Ferreira se despediu dela a dizer, excelente trabalho. O mais engraçado, e já o escrevi algures aqui [post "Que se lixe o real!"], é que este caso Maddie é feito no circo romano que está montado com a participação de todos, pais, media, comunidade e nele os jornalistas têm um pequeno e irrelevante papel. O que é que eles podem fazer?! Aquilo que os seus patrões os mandam fazer: uma espécie de coreografia dos flashes fotográficos e das câmaras de filmar às portas da moradia dos McCann, da PJ, do Ministério Público, um dizerem aquilo que os outros já escreveram, realizarem aquelas manhosas entrevistas de rua a turistas e a populares, fazerem directos à porta do Ocean Club, sempre com o foi ali atrás de mim que tudo aconteceu, ou interpretarem as mensagens cifradas do porta-voz da PJ. . Este até é um caso que, pedagogicamente, terá os seus frutos e espera-se que, nos próximos tempos a qualidade do trabalho jornalístico suba uns furos. Porque andando a verdade aos trambolhões, entre o diz-se que raptou, o diz-se que matou e o diz-se que descuidou, os jornalistas, por pressões que eles deverão melhor saber identificar e enfrentar, acabam por estar pouco disponíveis para o mais importante: darem-se o tempo necessário para compreenderem a fragilidade dos aparatos de verdade que o processo narrativo do trabalho mediático utiliza para fazer seguir a história. Eles, os bons - porque os maus coleccionam com vaidade palmadinhas nas costas de quem não percebe a diferença entre um bom trabalho jornalístico e uma boa performance televisiva, onde conta tanto o vestido elegante como a determinação elocutória, como aconteceu ontem com Sandra Felgueiras e os elogios de Fátima Campos Ferreira - são agora confrontados com a humildade de perceberem que enquanto tiverem como fundamental a enunciação de uma determinada história que convença o share, vão estar sempre à mercê deste tipo de situações.
É irónico que neste caso em que os jornalistas quase nenhuma culpa é que eles se sintam mais preocupados. Saudêmo-la, à preocupação. É um princípio de humildade que nos dá alguma esperança, principalmente quando sabemos que grande parte da contrafacção jornalística decorre de, no processo de concepção do produto jornalístico, intervirem tantos agentes que não são jornalistas, que não sabem o que é o jornalismo, e que pior do que isso, o confundem com as pequenas novelas do dia a dia.
quinta-feira, setembro 06, 2007
O direito a informar e as escutas
Há um movimento subscrito por jornalistas, intitulado Informação é Liberdade, que se insurge contra todo o edifício jurídico aprovado pela Assembleia da República, ou à espera de aprovação, referente à sua actividade profissional, no qual se integra a proposta de Estatuto dos Jornalistas, em boa hora mandada regressar ao Parlamento pelo Presidente da República.
O que se passa - para além de uma real incapacidade de comunicar por um ministro que se refugia no seu consensual brilhantismo e inteligência académica para não assumir que é de uma crassa estupidez política construir uma proposta de regulação de uma classe profissional conseguindo ter a grande maioria dos que a integram contra ela - está bem resumido no despacho com que o Presidente da República devolveu a proposta de diploma: a bondade do documento é de díficil compreensão, a maldade do mesmo salta à vista de uma forma grosseira. É certo que os jornalistas deixaram muito trabalho de casa por fazer ao longo dos tempos (nomeadamente a criação de uma Ordem profissional) mas, como o veio dizer a Comissária Europeia, a auto-regulação parece ser um dispositivo capaz de promover a qualificação da actividade profissional dos jornalistas.
Ora, neste excesso de razão também de repente tropeça o disparate, como acontece com este post, sobre a proposta de regulação da divulgação das escutas telefónicas: "Sobre a norma do novo Código de Processo Penal que impede a publicação de escutas sem autorização dos "intervenientes"mesmo que já não estejam na alçada do segredo de justiça (ver aqui e aqui), o MIL (Movimento Informação é Liberdade) apenas diz uma coisa: dado o absurdo do seu conteúdo tudo fará seu alcance para seja revogada."
É um argumento espantoso que parece não permitir a refutação. Em primeiro lugar, e se em relação aos documentos de regulação dos jornalistas me coloco de fora, citando apenas aquilo que é já voz consensual na matéria, já em relação a uma proposta do código penal, me sinto estimulado a discuti-la. Aliás, escrevi aqui o bom e o bastante sobre as escutas telefónicas para se perceber que o que me move não é algum desejo de limitar o direito a informar, é a de promover o entendimento de que as escutas telefónicas são um dispositivo de investigação que tem de ser encarado sempre com pinças, porque pode muito bem, promover em democracia, um controlo sobre a intimidade dos cidadãos que consubstanciaria um dos mais graves atentados à liberdade dos cidadãos em 33 anos de regime democrático.
Porque o que ressalta da proposta de lei é que o que é proibido é a transcrição das escutas. Só um jornalista perguiçoso, relapso e contumaz é que pode atrever-se a dizer que é um atentado ao seu direito de informar não poder transcrever uma determinada escuta que deixou de estar em segredo de justiça, quando poderá livremente dar conta do seu conteúdo informativo. Uma escuta telefónica é uma iniciativa de natureza policial que produz informação relevante e não relevante que não pode ser dissociada. Imagine-se a seguinte conversação retirada do apito prateado:
"- É pá, o dinheiro, foi entregue?
- Tá tudo nos conformes, a amante do Zé da Bancada levou-o.
- Quem, pá?
- A gaja dele, a Inácia "
Onde, quando, porquê, como, é relevante para o conhecimento público sobre o acto de corrupção realizado pelo Zé da Bancada que ele tenha uma amante? E que fulana de tal seja sua amante?
terça-feira, agosto 28, 2007
Brigadas da Contra-Informação.
Eu espero que aquelas horas esquecidas que passei na rede do limoeiro me tenham dado a teimosia suficiente para o confronto que quero ter aqui no Respirar com a linguagem. E eu já percebi pelos últimos posts que não será fácil. Há alguns anos Valere Novarina e o seu trabalho sobre o linguarejar tinham-me chamado a atenção para a necessidade imperiosa de devolvermos à linguagem a sua possibilidade interpelativa. Arrumei isso na gaveta do trabalho estético e criativo. Pensei, tenho de escrever como se escavasse um buraco no meio da linguagem. É nesse escuro, nesse negrume que a proferição se rejuvenescerá. Mas essa preocupação reservava-a exclusivamente para os meus textos teatrais. Sempre encarei o escrever no blogue como uma pré-escrita. Um lugar onde eu poderia ser e não ser, onde eu poderia ser inconsequente, inconstante, reflexivo, literário, piegas, sentimental, uma auto-terapia do existir.
Nestas férias pude no entanto perceber que as coisas estão bem piores do que eu pensava. Não se trata de uma questão estética. É uma questão política. Como blogger faço parte de uma comunidade bastante intelectualizada, quer dizer, que tem grande parte da sua vida construída através de referências do pensamento, da arte, da cultura, da política e por isso sempre desvalorizei o impacto da catástrofe que intelectualmente sentia que a linguagem estava a atravessar. Pensei que nos campos, nas aldeias, nas vilas, no interior das vidas amáveis que sempre soubemos construir estes artefactos comunicacionais não tinham quase valor nenhum.
Não é verdade. A situação é ainda mais catastrófica do que o meu pessimismo poderia alcançar. Já não existem campos, nem vilas, nem aldeias e as nossas vidas amáveis estão irreconhecíveis. O ter ido para férias quando o caso Maddie estava no seu epicentro deu-me a oportunidade para perceber que tipo de informação tem privilégios de produção de sentido fora dos grandes meios urbanos. É telenovela, noticiários e missa de domingo por esta ordem de importância.
O que tudo isto produz é um verdadeiro terrorismo da comunicação. Muitos de nós espantaram-se há uns anos com a possibilidade de implantação de retóricas fundadas no irracional como, por exemplo, a da guerra ao terror de George W. Bush. Ora o que aí vem ainda será pior, mil vezes pior.
E eu não sei o que verdadeiramente um blogger pode fazer, ou melhor, o alcance que poderá ter aquilo que ele pode fazer. Creio que nisso teremos de ter a paciência do agricultor que lança a semente ao chão e só saberá na primavera se o seu esforço foi produtivo. Poderemos começar a formar comunidades assentes no laborioso trabalho da contra-informação. Células anti-terroristas. Trabalharemos por casos como os terroristas da comunicação. Célula Contra Informativa no Caso Maddie por exemplo. Faremos reuniões de célula, de rede, de brigada no Second Life.
Guerrilhas do pensamento. Pensar é estranho. Parece que nos afasta do lugar onde realmente estamos. E do lugar actual ainda mais. Provavelmente os vindouros já virão com o pensamento formatado para se adaptarem a esta reconfiguração ideológica da verdade, da mentira e já não sentirão esta nossa angústia de filhos da guerra fria. A nós ainda é ela que nos ilumina.
quarta-feira, agosto 22, 2007
Os erros dos outros
Ontem o DN publicava esta peça jornalística (servida por uma manchete na primeira página onde dizia, ao lado da fotografia da criança desaparecida: "Detenção Iminente"). Nesta peça, na sua parte final, referiam-se as notícias saídas em dois jornais ingleses mas sem estabelecer nexo entre a matéria noticiada pelo DN e as noticías da imprensa londrina. Hoje, no final de um texto assinado por um dos autores da peça de ontem lê-se a páginas tantas: "Entretanto, o porta-voz da PJ para o "caso Madeleine", Olegário de Sousa, foi peremptório ao desmentir, ontem, informações avançadas pela imprensa britânica, segundo as quais estaria iminente a detenção de um cidadão inglês residente em Exeter e amigo dos McCann. Olegário de Sousa sublinhou que a notícia publicada pelo Daily Express "não tem lógica nenhuma" e "não é proveniente" da PJ."
Receitas para a felicidade a 2,5 €
Justo o destaque para a edição nº 124 do Courrier Internacional. Há muito que não dava por tão bem empregue dinheiro deixado na banca dos jornais .
terça-feira, maio 01, 2007
TÁXI-TVI
Também acho pouco emocionante o destino de Pina Moura. Não é de agora. Há alguns anos que partilho desse desinteresse. E também sempre achei um escândalo a atribuição de um canal à Igreja. Já falei disso aqui vezes sem conta. É para mim um dos maiores casos do país posterior a Abril. Porque antes já se sabe. E mais escandaloso que a Igreja tenha passado essa licença de radiotelevisão a um grupo empresarial que não concorreu para a sua aquisição . Como se as licenças de televisão fossem aquele estranho negócio de atribuição/trespasse de licenças de táxi em vigor na capital. É um escândalo que mostra muito bem como vivemos num país de saloios, das senhoras de, sejam à esquerda ou à direita. Não vi nenhuma grande investigação conclusiva no Público, no Independente, no Diário de Notícias, no Correio da Manhã, na SIC, na RTP, na TSF, na Procuradoria Geral da República por este escândalo à vista desarmada. Dos partidos com assento parlamentar, não ouvi nenhum pedido de abertura de inquérito, nenhuma posição pública. PS, PSD, CDS, PCP, Bloco de Esquerda, Verdes consentiram pelo seu silêncio político. O caso era político mas parece ser também da esfera criminal. O Estado concedeu (extra-concurso, creio) uma licença de radiotelevisão à Igreja Católica Apostólica e Romana . Esta passou um bem, do qual só detinha o usufruto, a um grupo empresarial privado. Este nem olhou para o projecto que a Igreja tinha apresentado para solicitar o alvará de televisão. Parece ter havido aqui um crime lesivo dos interesses do Estado. Não sei onde, nunca percebi. Se no desleixo do legislador que outorgou o alvará televisivo e não cuidou de que, no fim do seu projecto de exploração ele deveria retornar ao Estado, se na prevaricação do explorador do alvará que indevidamente o terá trespassado, se na conivência do poder político e judicial sobre o não esclarecimento público de como é que tudo isto se passou . E já agora, por mera curiosidade, o que é que se passou de facto?
sexta-feira, abril 20, 2007
quarta-feira, abril 18, 2007
A aventura totalitária
Uma das situações que considero mais inquietantes na nossa vida contemporânea é o modo como permeabilizámos os nossos sistemas de representação (social, cultural, política, etc) à avalanche de um novo tipo de totalitarismo e autoritarismo que se constituiu como discurso não assinalado pelos habituais detectores de signos totalitários. Conseguimos facilmente identificar a xenofobia, o racismo, o nacionalismo, as apologias dos diferentes movimentos de natureza neofascista, como manifestações emergentes de um discurso totalitário, mas temos uma grande dificuldade em apercebermos da forma como o modo como organizamos a nossa vida, como falamos de nós e dos outros, como constituímos pensamento, cria por um lado uma disponibilidade interior para a emergência dentro de nós do modo de ser-estar totalitário e por outro uma atitude negligenciadora e mesmo disciplicente em relação à critica dessa irrupção do totalitarismo. São dois momentos diferentes mas que parece obterem um estranho conluio, só que um, o primeiro, caracteriza-se por uma euforia, uma exaltação e o segundo por um medo de que ao pensarmos percamos a conexão com o real. O primeiro é a euforia da publicidade, das mitologias reinantes, do simulacro e da simulação, da realidade já sem marcas de real. Deveríamos um dia poder gravar as conversas sobre o quotidiano. Sobre o que vestimos, sobre o que vemos na televisão, sobre o sexo, sobre o género, sobre o que compramos, sobre o modo como nos divertimos, sobre os modos como porporcionamos divertimento aos nossos filhos. Depois iríamos à arrecadação buscar uma daquelas grelhas de análise estruturalistas e contaríamos quantos vocábulos que expressam uma ideia, um desejo, uma ânsia de totalidade utilizámos e qual a reacção do nosso interlocutor face a isso. Ou seja, a rapidez com que se identificou totalmente com aquilo que dissémos, muitas vezes alargando o contexto desse afecto totalitário. O eu penso ou o eu acho, quando muitas vezes nem houve tempo para aquela operação que pode qualificar o pensamento, a operação de vinculação a uma experiência, seja ela imaginária ou real, e muito menos a procura de uma identidade. Os nossos espaços quotidianos são muitas vezes múltiplos workshops interpessoais onde experimentamos a vivência do totalitarismo, naturalizando-o, interiorizando-o. Os jogos tipicos do desenvolvimento infantil como o mimetismo, levamo-los pela vida fora, sempre. Somos pequenos protótipos de mesmificação. E por outro lado, tentamos anular a nossa tendência para sermos acção e crítica da acção. Critica para quê, se é por ela que nos individualizamos e nós queremos tribalizarmo-nos? É de notar que as tribos modernas evoluiram muito, desenham-se na heterogeneidade, na multiplicidade, na diversidade. O grande problema: isso não é só falso, é também verdadeiro. Realmente as nossas tribos estão mais abertas ao diferente, ao diverso, tanto no plano discursivo como no plano pragmático. Só que nem sempre o tempo joga a favor da actividade crítica. É preciso formar opinião muito rapidamente. E como permanecem activos os dispositivos ideológicos do pós modernismo e do relativismo, tudo se tornou ficção, ficcionável. Para quê esse investimento na realidade então se tudo pode ser relativizado? Por exemplo, houve um caso muito falado recentemente sobre uma sentença de um julgamento que envolvia o Público e o Sporting. As posições de uns e outros estavam expressas no mesmo ciberespaço onde estavam o acordão do tribunal. Isso não impediu que, independentemente da divergência de pontos de vista, estes fossem formulados a partir de dados contraditórios uns com os outros. É apenas um exemplo. Todos nós * conhecemos essas marcas no real que habitamos. O que eu quero dizer é que quando no plano ideológico e político nos apercebemos que se está a forjar uma dicotomia, um exarcerbar maniqueísta, que visa permitir aos sistemas ditos democráticos responderem de forma totalitária, já é demasiado tarde. Já, nos nossos dias, incorporámos de tal forma a aventura totalitária que perdemos a capacidade de nos ligarmos e conectarmos com o outro. Ele é uma ameaça.
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* Estava já a corrigir o post detectei esta marca de totalidade neste mesmo texto. Como é que eu sei que todos nós conhecemos estas marcas no real que habitamos? Fiz algum estudo, andei a perguntar?
domingo, abril 15, 2007
terça-feira, março 20, 2007
Sotôr Almerindo Marques nos 50 anos de RTP
Apanhei de relance o debate dos 50 anos da RTP. De um lado Francisco Pinto Balsemão esgrimindo argumentos científicos como o de que porque raio é que o Serviço Público deve ter presença no cabo?, do outro lado Almerindo Marques, secundado por Augusto Santos Silva, a responder-lhe umas generalidades sobre o direito do Serviço Público de televisão transmitir espectáculos de futebol e de poder assegurar a sua presença no Cabo e que se o sotôr não aceita os meus argumentos não lhe posso dizer nada. Nem Fátima Campos Ferreira no seu azul marinho - porque é que o serviço público não pode ter apresentadoras vestidas de azul marinho?!- o podia ajudar. Valeu-lhe a cumplicidade de Augusto Santos Silva, que veio em seu socorro, explicando que a necessidade da presença no cabo tinha a ver com a necessidade de salvar plataformas como a RTP África e RTP Internacional que, dada a distribuição já existente nos canais generalistas, não poderiam sobreviver. É que não sendo uma grande argumentação, sempre se pode dizer que é uma espécie de argumento.
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